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sábado, 4 de setembro de 2010

O Grande Ditador - monólogo final


"I'm sorry, but I don't want to be an emperor. That's not my business. I don't want to rule or conquer anyone. I should like to help everyone if possible - Jew, Gentile - black man - white.
We all want to help one another. Human beings are like that. We want to live by each other's happiness - not by each other's misery. We don't want to hate and despise one another. In this world there's room for everyone and the good earth is rich and can provide for everyone.

The way of life can be free and beautiful, but we have lost the way. Greed has poisoned men's souls - has barricaded the world with hate - has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge has made us cynical; our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little. More than machinery we need humanity. More than cleverness, we need kindness and gentleness. Without these qualities, life will be violent and all will be lost.

The aeroplane and the radio have brought us closer together. The very nature of these inventions cries out for the goodness in man - cries for universal brotherhood - for the unity of us all. Even now my voice is reaching millions throughout the world - millions of despairing men, women, and little children - victims of a system that makes men torture and imprison innocent people. To those who can hear me, I say: 'Do not despair.' The misery that is now upon us is but the passing of greed - the bitterness of men who fear the way of human progress. The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people. And so long as men die, liberty will never perish.

Soldiers! Don't give yourselves to brutes - men who despise you and enslave you - who regiment your lives - tell you what to do - what to think and what to feel! Who drill you - diet you - treat you like cattle, use you as cannon fodder. Don't give yourselves to these unnatural men - machine men with machine minds and machine hearts! You are not machines! You are not cattle! You are men! You have the love of humanity in your hearts. You don't hate, only the unloved hate - the unloved and the unnatural!

Soldiers! Don't fight for slavery! Fight for liberty! In the seventeenth chapter of St Luke, it is written the kingdom of God is within man not one man nor a group of men, but in all men! In you! You, the people, have the power - the power to create machines. The power to create happiness! You, the people, have the power to make this life free and beautiful - to make this life a wonderful adventure. Then in the name of democracy - let us use that power - let us all unite. Let us fight for a new world - a decent world that will give men a chance to work - that will give youth a future and old age a security.

By the promise of these things, brutes have risen to power. But they lie! They do not fulfil that promise. They never will! Dictators free themselves but they enslave the people. Now let us fight to fulfil that promise! Let us fight to free the world - to do away with national barriers - to do away with greed, with hate and intolerance. Let us fight for a world of reason - a world where science and progress will lead to all men's happiness. Soldiers, in the name of democracy, let us unite!

Hannah, can you hear me? Wherever you are, look up Hannah. The clouds are lifting! The sun is breaking through! We are coming out of the darkness into the light. We are coming into a new world - a kindlier world, where men will rise above their hate, their greed and their brutality. Look up, Hannah! The soul of man has been given wings and at last he is beginning to fly. He is flying into the rainbow - into the light of hope, into the future, the glorious future that belongs to you, to me, and to all of us. Look up, Hannah... look up!"


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Em Lilia 4-ever, Lukas Moodysson atenta para a urgente necessidade de amor ao próximo***

Logo nas primeiras cenas você pode pensar que Lilia 4-ever se trata apenas de mais uma versão (dessa vez russo-sueca) de filmes sobre adolescentes desajustados que se consomem nas drogas e na marginalidade. Mas não se engane. Não é nada disso. Lukas Moodysson quer muito mais do que mostrar uma geração perdida entre a falência do comunismo soviético, a periferia de uma cidade grande e a inevitabilidade de um capitalismo selvagem, cujo desdobramento é o valor ecônomico imputado a tudo que nos cerca, sendo, nesse rastro, a América o último refúgio propagandista da tal bonança - ou o "paraíso" na terra. O que o diretor sueco almeja é, sem dúvida, a eternidade inscrita no título - ao revelar de que modo, dentro desse processo da pós-hiper-supra-modernidade, o homem ocultou por completo qualquer menção verdadeiramente humana que tamborile dentro de si. E - sem apontar culpados pelo que quer que seja -, é um homem horroroso, perverso e estranhamente comum com o qual nos defrontamos em cena. Uma velha tia. Uma mãe sonhadora. Um jovem cafetão. Uma operadora de caixa de mercado. Um sujeito que, ao passar com fones de ouvido no último volume, se recusa a ouvir o som do descalabro. Você e eu. A humanidade é, assim, através de inúmeros personagens, posta pelo avesso em nome de um "aceitável" egoísmo intensificado pelos cacoetes de uma metrópole fria e cinzenta. É, portanto, a face mais horripilante do homem, este que está a seu lado, este com o qual você toma um chá, este para o qual você dá "bom dia", que Moodysson traz à baila. E, de quebra, denuncia como o poder de cada gesto nosso (sim, nosso), seja irrefletido ou muito bem pensado, pode estar fomentando uma rede de desamor que começa em um olhar de indiferença ou hostilidade e termina no assassinato (ou suicídio) brutal de uma criança.

Para ver, rever e agir. E nem precisamos ir tão longe.


***in micro-resenhas de filmes que não passam.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pixo, un film de João Weiner et Roberto Oliveira

Rabiscos? Arte marginal? Conceitual? Hmmm... Sei que quando o pixador invade a galeria de arte toda pomposa e manda ver, deixando a tiazinha fula da vida, é, como dizem os paulistanos, ducaralho!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Os hormônios e o século XXI

Apesar de ser um péssimo poeta, Cazuza tinha razão quando dizia que, a despeito da rima, burguesia e poesia não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Em pleno século XXI a sociedade continua dividida em castas, sendo a pior delas, como diz Lukács, a pequena-burguesia, em relação a qual qualquer forma de arte mais elevada é totalmente incompatível. “Enquanto houver burguesia não vai haver poesia”. Em pleno século XXI as pessoas se recusam a se levantar de seus troninhos – onde defecam, dormem, constroem cercas e o diabo – and life goes on. Jean Cocteau profetizou: "a vida é uma queda horizontal" - não por que vamos morrer algum dia, mas por que conseguimos seguir nossas vidinhazinhas em meio ao genocídio alheio, que nos avizinha, sem estar nem aí. Em pleno século XXI vivemos uma peste atrás da outra, sendo a moléstia da vez a tal da porcina, contra a qual não há – não adianta, hermanos – não há prevenção. Em pleno século XXI a sociedade, além de patriarcal, hostil e machista até o útero, continua dividida, na prática, entre aqueles que acreditam em Deus e aqueles que não, sendo que estes não fazem a mínima idéia do que seja esse Tal ente, e aqueles que acreditam, em sua maioria, também não. Em pleno século XXI, os povos primitivos já mostraram ter mais domínio sobre qualquer tecnologia do que o homem civilizado, mesmo assim as últimas aldeias indígenas do Brasil se esvaem como água pelo ralo. Em pleno século XXI vivemos, sim, a barbárie. Em pleno século XXI, não há século XXI – e a mulher, mais particularmente “eu”, sofre de TPM e se põe a reclamar sensibilizada, visto que não há, veja você, te enganaram, século XXI algum. Tudo invenção, estamos na Idade Média. Em pleno século XXI eu abro a janela do apartamento em que moro em São Paulo (essa cidade, esteticamente falando, horrenda) e o que eu vejo é aquela afamada cena de “O sétimo selo” do Bergman: uma montanha e silhuetas próximas ao crepúsculo, em fila, seguindo um líder sem saber para onde ou para quê, à deriva e desnorteadas. Como diz meu sobrinho de quatro anos: “ai, ai, ai...” Um anjinho.

sábado, 11 de julho de 2009

Pasajero


Sobre o documentário
Fonte: http://www.pasajero.info/
"Pasajero: un viaje por el tiempo y la memoria, documental de una hora de duración, es una auténtica y revitalizadora historia que sigue a un grupo de músicos urbanos mexico-americanos a México, donde buscan un significado más profundo de sus tradiciones. Ellos acompañan a su maestro, un viejo violinista, a su regreso a su pueblo en Jalisco. El grupo realiza una gira musical, presentando un estilo de mariachi pre-comercial que ha sido olvidado hace mucho tiempo, a través de México y el Valle Central de California donde encuentran a personajes fascinantes que representan el espíritu del viejo México. Pasajero es un recordatorio, desde el corazón, del papel vital que juega la música en la definición de nuestras identidades.Pasajero: un viaje por el tiempo y la memoria, es el primer documental de una serie de cuatro, del proyecto "Culturas de México en California", patrocinado por The James Irvine Foundation. Pasajero tambien ha recibido apoyo de Cultural Contact, the Walter & Elise Haas Fund, the California Arts Council and the Lef Foundation."

Belo trecho!...


Com direção de Ricardo Braojos e e Eugene Rodriguez, Pasajero foi lançado oficialmente em 2004.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Coração de Cão - Mikhail Bulgakov

Baseado no romance homônimo do genial Mikhail Bulgakov (na foto acima), mais conhecido como o autor de Mestre e Margarida, o filme Coração de Cão, dirigido por Vladimir Bortko, é uma porrada hilária no seio do regime da ex-URSS, que esmagou, em meio ao frenesi bolchevista, qualquer tentativa de se produzir arte no país. Vide Maiakovski, Nabokov, Bábel e tantos outros. Bulgakov tentou sobreviver a essa dinâmica, mas teve muitos de seus livros e roteiros para teatro censurados à época. Em 1925 escreveu Coração de Cão, que só veio a conhecimento do público em 1987 - e, dois anos depois, Bortko também filmaria essa peculiar história de um "homem-cão" (um cachorro no qual se implanta a glândula pituitária de um homem morto) que se torna membro do partido e serve, talvez por ser um boçal insuportável afeito ao sistema dominante, muito bem aos desígnios do governo socialista. Um proletário-criatura, totalmente sem escrúpulos, que sabe tirar vantagem tanto da miopia soviética, que parece não enxergar o ser humano, quanto dos privilégios da burguesia que lhe deu vida. Baita crítica.

Fica clara a referência a Mary Shelley, mas os propósitos de Bulgakov eram outros. Vladimir Bortko é uma diretor fabuloso que vem filmando vários clássicos da literatura russa tanto do séc. XX quanto do séc. XIX. O último, agora em 2009, foi Taras Bulba, romance do piradíssimo Gógol.

Parece que existem edições portuguesas (segundo dizem, muito mal traduzidas) dos livros do Bulgakov. Quanto ao filme do Bortko, não faço a mínima idéia de onde encontrar. A Nastia trouxe pra galera lá de "Peter" - com legendas em inglês ou em russo. Quem quiser emprestado, vale muito à pena.

Como existe o you tube, fique com um trechinho da cena em que Polygraf Polygrafovitch Sharikov, o homem-cão (e sem noção) é apresentado ao mundo:

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Damage - Tesão Infernal!

Fala-se muito em Truffaut, Godard, piriri, parara, mas eu amo o Louis Malle.

Veja tudo dele. Ele é um fofo:

Fase francesa
Ascensor para o cadafalso (1958) (Ascenseur pour l'échafaud)
Os amantes (1958) (Les Amants)
Zazie no metro (1960) (Zazie dans le métro)
Trinta anos esta noite (1963) (Le Feu Follet)
O sopro do coração (1971) (Le souffle au cœur)
Lacombe Lucien (1974)

Fase estadunidense
Menina bonita (1978) (Pretty Baby)
Atlantic City (1981)
Meu jantar com André (1981) (My Dinner with Andre)
Adeus meninos (1987) (Au revoir, les enfants)
Loucuras de primavera (1990) (Milou en Mai)
Perdas e danos (1992) (Damage)
Tio Vânia em Nova York (1994) (Vanya on 42nd Street)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Возвращение - O Retorno (2003)



Atrasadíssima, acabei de ver o aclamado filme de estréia do diretor russo Andrei Zvyagintsev (Андрей Звягинцев). Lindíssimo, lindíssimo, soberbo. Triste saber, entretanto, que um dos atores, Vladimir Garin, que interpreta o Andrei, morreu em 2003 logo após às filmagens. E o que é mais bizarro: afogado. Um garoto, uma pena. E os dois meninos, talentosíssimos, carregam o filme, de roteiro e direção brilhantes, magistralmente. Bom, fica a lembrança.


terça-feira, 12 de maio de 2009

Alexander Sokurov no Brasil em 2009




Para quem gosta de cinema russo, tudo indica que o maior representante dessa cinematografia na atualidade, Alexander Sokurov, herdeiro de Tarkovsky, virá ao Brasil no final desse ano para uma série de palestras e oficinas. As negociações estão avançadas lá no departamento (e fora dele também). Vamos ver. :-)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Assista "Le Trou", obra-prima de Jacques Becker, no you tube com legendas em inglês

Um dos filmes mais brilhantes e pungentes já feitos, mas meio difícil de encontrar tanto para aluguel quanto para compra (download nunca vi!), está todo disponível no you tube. Aliás, vou revê-lo right now!

http://www.youtube.com/view_play_list?p=0887F1C963241E3B&search_query=le trou

domingo, 19 de abril de 2009

Dependência química e sindrome do pânico na Rússia do século XIX...

... por que Anna Karenina não passava de uma junkie viciada em morfina...

A pós-hiper-modernidade reclama para si a invenção de alguns dos muitos transtornos mentais que assolam principalmente a população urbana e, nesse sentido, a correria frenética pelas drogas (ou fármacos) que esse ambiente "opressivo" demanda ao ser humano, como calmantes tarja preta ou anti-depressivos. Uma leitura mais detida de alguns romances russos do século XIX, entretanto, especialmente os dos chamados escritores realistas, como Tolstói ou Dostoiévski, nos mostram que na São Petersburgo gogoliana, cheia de narizes, capotes espectrais e homens-coisa, utilizar medicamentos "controlados" para insônia e depressão ou ter ataques de pânico eram coisas relativamente comuns. Dostoiévski, que já sofria de epilepsia, denominava suas crises de ansiedade de "Terror Místico", tendo relegado a muitos de seus personagens essa condição. Já Tolstói, que mantinha uma relação doentia com a esposa paranóica na vida real, fez da louca Anna Karenina uma junkie viciada em morfina - pobrezinha, prestes a se atirar sobre os trilhos do trem, ela não conseguia pregar o olho sem algumas doses de seu frasco semi-suicida.


Dostoiévski descreve um ataque de "terror místico", ou do que hoje chamamos de "síndrome do pânico" no romance "Humilhados e Ofendidos", de meados do séc. XIX:


"(...) eu ia caindo pouco a pouco nessa disposição especial de espírito em que me encontro tão frequentemente à noite desde que estou doente - disposição que eu chamarei de "terror místico". É o dolorosíssimo receio de qualquer coisa que eu não saberia precisar, de algo fantástico e irreal, que não existe na ordem das coisas, mas que parece surgir diante de mim e ganhar corpo num instante, com a irrefutabilidade de um fato terminante, horrível, informe, implacável. Esse pânico vai crescendo sempre, apesar de todos os meus apelos à serenidade e à razão, de sorte que, no fim, embora meu espírito tenha atingido um grau maior de lucidez, perde toda a faculdade de se opor a essa sensação (...)".


Tolstói não dá trégua para a doce e linda Anna - e coloca sobre sua mesinha de cabeceira um remedinho à base de um opiáceo que ameniza (ou potencializa, vai saber...) sua fúria nervosa:


"(...) Entretanto Anna, de regresso ao seu quarto de toucador, pegou num copo em que deitou umas gotas de medicamento cujo principal ingrediente era a morfina. Depois de beber esse líquido, permaneceu imóvel durante algum tempo e dirigiu-se ao quarto com o espírito tranquilo e alegre (...)".

Greta Chapada :-)

sábado, 18 de abril de 2009