domingo, 22 de novembro de 2009

"Triste partida" do Patativa

Meu Deus, meu Deus. . .
Setembro passou
Outubro e
Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba
Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra
Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
À lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai

3 "Perolazinhas" encantadas do Junio Barreto (QQ coisa de sublime)

Colarzinho de pedra azul


Bonita de Pedra e Céu

A quem glória possa ser

PS: Se o player não funcionar, clique no link "divShare" para fazer o download da música.

domingo, 15 de novembro de 2009

Quando o Tolsta veio me visitar!!! (4) - O sagrado

O vento vai, vem, vai-e-vem, Nivá, perverte o ar, volteia, tartamudeia, pousa, bóra, cantarola, refaz-se uno, corre, amamenta quitutes no pomar, até pensar como um ser (não é Hermes), pois se é Deus, é (tri)vivo, é pulmonar - embriaga-se de caules, réstias de (fran)galhos, ao encalço do outono sem jamais lhe ter. Tonteia o sentido do "à", á margem, á luta, avante!, leiloa a língua benta,
ecoa
lufa,
arfa,
pulsa,
baba,
coroa,
aventa
rebenta areia fina na película cristal, mastiga, regurgita e, pontiagudo, entrelinha estupor e breu - calmo, contudo, acomoda-se à meia-luz, até que se avizinha a tarde e, afinal, na fímbria do horizonte, sangra ao pé do sol. Genuflexão: hora da missa. Santíssimo sacramento. A luz vermelha sinaliza: é Ele. Tolsta não se submete ao que não acredita, mas entra,encosta-se ao invés de se sentar, tensiona os músculos para entender, desentende, não relaxa, não se atreve, distende a razão e se perde. A enormidade da Catedral da Sé não lhe contagia os ânimos. A contigüidade do que ocorre pelo seu avesso, na praça, é que lhe espeta o cérebro. As gentes de todo o Brasil, atamancada, disputando palavreado, sentido, espaço pra dizer que está tudo de revés, que está tudo absolutamente movediço. O conde se amiúda e, pé-ante-pé, aproxima-se de um юродивый (Iorodivi), espécie que na Rússia parte em busca de Deus, só, produzindo instantâneos orais, santos, migalhas de arte, arrebanhando fiéis, parasitas, sendo, ao pé, um mendigo alienado, tonto, vidente. Aquele ali, entretanto, lhe parece falso, pois quando com ele quer dialogar, não é ouvido, a despeito de febrilmente respondido. O sujeito só tem olhos para si e sua Bíblia, a cujos significantes imputa qualquer significado, pautado em interesses que Tolsta não reconhece como os seus. O conde só vê sentido no desinteresse - e prenhe de amor.

- Precisaríamos de uma ambição embolada de ponta-cabeça – nada que nos fizesse retroceder, mas que nos obrigasse a ceder ao tédio de não querer tudo para si, em silêncio galhofeiro, mallllllllll, como quem agradece simples e naturalmente por estar vivo, por não ter caído hoje do precipício. Difícil isso. Lembro-me daquela moça que, ilhada, discutia comigo. Punha, à guisa da revista Veja, muito popular no Brasil, todos os adeptos de regimes ditos totalitários no mesmo saco (Che, Prestes, Fidel, Hitler e Stalin, tanto faz) – e depois suplicava por qualquer bem genuíno que se desdobrava no afamado "individualismo neoliberal", essa lei do pós-guerra que nos atola no supermarket punk. E - concatenei tentando seguir o raciocínio dela - o individualismo desses homens no saco, ora bolas? Por que hão de ser todos iguais? Pensar é difícil, pensar demora, pensar, não raro, é abdicar de qualquer opinião, é, no bilhar, não encaçapar nenhuma bola. É dom, é perda, é humilhação - desapego e comunhão. Dizem que a fé é dom de Deus. Dios. Dieu. God. Бог.

- A razão também – bombardeia o conde. O resto é reprodução. Arte, guria, é criação.

Lembrei de Nietzsche, que disse: “pensar é criar”. Enfim, outro péla-saco-mor pro panteão olimpiano do intelecto. Tolsta não me ouve mais. Tolsta não me ouve nunca, aliás. Conversa com Johannes, o sem-teto alemão – agora sim, um legítimo юродивый.

Encontro histórico: Os юродивый Tolsta e Johannes deixaram-se fotografar em plena Praça da Sé - marco zero de Sampa City. O calor de novembro não os impediu de vestir seus capotes, botas, bigodes e parangolés, o que corrobora minha tese de que ambos estão completamente alheios ao que se passa no mundo. Devem achar que estão na Rússia! Hahaha! Ou pior: em Iasnaia Poliana! Hahaha! Imagina!!! Loucos de pedra!... Detalhe: a foto foi envelhecida no photoshop - essa parte eu não pesquei.

Um rosto sem face

Sinto-me, agora, como um mujique malevitchiano - um rosto sem face.

Tenho dúvidas, na verdade, quanto a natureza desse ser: mujique ou proletário?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Naquele dia, já era noite

Naquele dia, já era noite. Ela vinha tropeçando em cacos de pensamento: refugos de uma longa refrega. Bifurcou coisitudes que, ademais, não lhe serviriam de droga nenhuma. Algumas delas tomaram o rumo do texto ao lado, que emergia em paralelo, reclamando autoria distinta e escrito por um ghostwriter legítimo, desses que pululam aos montes em SP. Adentrou o apartamento com a sua cota de sandices, devidamente cotejada com o original em russo, sem nem suspeitar que já estivesse grávida há 20 dias, que um bisneto da Cândida nasceria dentro em pouco, que a toalha estava molhada sobre a cama – despencou do oitavo andar de suas idéias direto para o colchão. Sentiu estalar duas lágrimas uma noutra na escuridão da pálpebra fechada. Pálido cansaço de não ir a lugar nenhum, de desejar além do seu o querer alheio, “todos juntos e de mãos dadas, atadas”, o querer alheio pleno de dignidade e compostura: bondade. Pessoas perdem tudo que têm de “pessoa” por causa de míseros R$ 100. Que verdade limítrofe em torno da qual sofrer e chutar toda e qualquer esperança no que quer que seja o ser. Não há escolha. Hamlet, para ela, soou como um risível desvario nefelibata.

Tristes trópicos – agora em outra pegada. Como diz a Zazie: “Meu cú” – o que, apesar de lacônico, significa: meu cú é bem mais limpo do que essa imundície toda.

Continua aqui.

domingo, 8 de novembro de 2009

Eu sou o samba...

sábado, 7 de novembro de 2009

O querido e figuraça FeFi (Felipe Filósofo)

Felipe Filósofo, além de ser mestre em filósofia pela UERJ, professor da citada matéria, especialista em Hume, Deleuze, Nietzsche (eu sempre empaco escrevendo isso), Sócrates e o diabo a quatro, também é sambista (um baita de um sambista da melhor lavra!). E, claro, é quase um amigo de infância, quase um irmão (!). Estudamos juntos na UERJ lá pelos idos dos anos dois mil e qualquer coisa. Eu fugi do hospício pois já estava matriculada em outro (a UFRJ) - ele continuou lá e hoje está ingressando no doutorado. Um orgulho para mãe e certamente para o pai - já falecido. Nunca me esqueço de ter levantado bandeirinhas e saltitado na quadra da Viradouro para torcer pro samba do Fefi que, dada à contumaz marmelada, não ganhou. Depois Fefi viria a implacar vários sambas em diversas escolas: da Acadêmicos do Rio do Ouro a Unidos da Região Oceânica. Legal. Impossível, entretanto, é conversar com o Fefi por meia hora sem que ele comece a atazanar a paciência alheia com seu repertório criativo e interminável, eu diria, de "putaria" de toda ordem. É preciso ser muito tolerante. Freud diria que ele pulou a fase oral. Eu diria que ele não consegue sair da Grécia e de seus bacanais. Na época da faculdade poderia até ter rolado um "caso" entre eu e Fefi (embora ele fosse batante tímido), mas hoje é impossível devido ao seu vocabulário de baixíssimo nível, que foi se escrachando e lapidando derivadas ao longo dos anos, digno de um cafetão da Vila Mimosa (Putz, não rola...). Enfim, o Fefi é tarado - normal. Sempre quando venho ao Rio dou uma ligadinha pra ele, pois, por incrível que pareça, Fefi também saca muito de filosofia e sempre me ajuda a coletar bibliografia adequada a minha dissertação sobre o Tolsta. Ontem, conversando com o Fefi, eis que ouço uma pérola daquelas:

Abre aspas -

Eu: Mas... Fê, você já participou de alguma orgia?

Fefi: Não. Não participei. Esse é meu trauma.

Fecha aspas.

Ah, Fefi e seu sexo verbal... Vou presenteá-lo com a Playboy da Fernanda Young.


Fefi na sala de aula (o que ele leva muito a sério!) matutando após ter escrito na lousa qualquer coisa sem cabimento. Um sábio. Amo você, Fefi!!! Figura-mor.

Skylab hits via psicotropicodelia


O super Harlem coordena um super netlabel - já falei dele aqui. Vamos às novidades Ctrl C - Ctrl V do fotolog dele:

Rogério Skylab em SKYGIRLS

O álbum está sendo lançado pelo selo virtual Psicotropicodelia Music em dois formatos: download livre/ copyleft [gratuito] e cd [duplo e com tiragem limitada].Todo o conceito gráfico do álbum e do hotsite são do designer Flávio Lazarino, cuja arte já se encontra consolidada em diversos dos nossos lançamentos anteriores. A masterização ficou a cargo do produtor paulista Flanicx.A artilharia criativa e importância cultural/ musical do Rogério & Cia foram os principais fatores que levaram ao lançamento deste trabalho pelo selo.Nós aqui, da diretoria esquizza, precisávamos de um item desse peso para estender mais ainda as propostas; em especial abraçar abertamente um lado rock/ska/dub alternativo e psicodélico; que também vive em nossos cérebros/ almas/ corações/playlists :].

PlayList

1-A TELA
2-ABACAXI
3-DEIXA FICAR
4-EU ME CONTRADISSE OU NÃO ME CONTRADISSE?
5-EU PENSO NELA SEMPRE
6-O SOL
7-VOCÊ VIU CAT POWER?
8-ILHA DE LESBOS
9-LA MER
10-SKYGIRLS
11-NA CASA DE MAMÃE
12-A FESTA NO MEU AP
13-OH MELODY
14-O QUE EU QUERO
15-MARIA BETHÂNIA
16-TUDO É TÃO BOM, TUDO É TÃO MAU
17-VAZIO BOMFULL


DOWNLOAD/ STREAMING:Duração Total (TOTAL TIME): 1 h 31 min 01 seg
Arte Gráfica Por (Artwork By) :Flávio Lazarino:
http://www.flaviolazarino.com/
Foto Por (Photo By): Solange Venturi
Masterizado Por (Mastered By):Flanicx:
flanicx@yahoo.com.br
http://www.psicotropicodelia.com/skygirls

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pupila sonora

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O twitter e a legitimidade do ser via publicização virtual

Foi-se o tempo em que apenas os fatos jornalísticos precisavam ser publicados para "ocorrerem" ou para terem qualquer (des)importância. Chegamos à era virtual e, nesta arena 3x4, o indivíduo, para existir, precisa estar conectado, precisa ter o aval dos outros, precisa ter um séquito que o siga para onde ele for, precisa ser visto, precisa dizer gracinhas e provocar risos. Como se não bastasse, cada ato isolado do indivíduo, seja uma flatulência seja uma descoberta arqueológica, para ter qualquer legitimidade, para virar história e memória nesse cubículo amplo, implica um post no twitter, no facebook, no orkut ou, enfim, nessas tranqueiras. Se o mundo, para você, são aplausos virtuais ecoantes, comentários e curtição em fotos, algumas palavrinhas bicudas nas entrelinhas, lembre-se que, se for viajar, deve levar a câmera - ou então, para o resto da humanidade você não foi a lugar nenhum. O que importa, afinal, é a visibilidade que tens. Eis o quão sem graça se tornou o espaço público.

Show de Truman? Balela!... Hoje todo mundo tem seu show particular e ele começa com @.
Da mesma forma, você não precisa entrar em um buraco negro para ser John Malkovich - entre no twitter e seja quem você quiser.

A legitimidade do ser, hoje, passa pela publicização do ser na internet. Chegaremos a um ponto em que cada pessoa terá uma câmera acoplada a seus olhos filmando a própria vida full-time. Vamos editar e postar esse filmete no fim do dia no twitter-eye - ou, melhor, ele será transmitido ao vivo, já que sem esse olho não "seremos mais nada". Nada? De súbito, isso soa atraente. Nem Habermas, ao dissertar sobre o espaço público inerentemente burguês, nem Orwell, na obra-prima 1984, nem ninguém, ora pois, poderia imaginar tamanha tragédia. Acho que o Andy, aliás, foi o único que acertou na mosca - também, era pop.

Forrozano



sábado, 31 de outubro de 2009

I......m..e........d......i......a.t........o

Saudades de tudo que se perde no imediato - e que só pode se construir no esteio do tempo: vasto. O que não presta, o tempo leva; o que presta, leva tempo. Eis o mar. Eis João e seu mais novo amigo: Lord.

sábado, 24 de outubro de 2009

BBQ

I brought the BBQ
the stars and all the rest
it's such a shame that you just left me
I came in second then
I am in a marathon
I'll gain on you some day just trust me
I can't believe what I just
witnessed here today
a thousand memories
just fade and fly away
I'll find you someday
in the middle of the war
I can't believe that
you don't need me anymore
I brought the humor
and a smile to fit your face
I won't hear the words you will tell me
I brought the liquor
and the drunken attitude
I can't believe that you can hate me
I can't believe what I just
witnessed here today
a thousand memories
just fade and fly away
I'll find you someday
in the middle of the war
I can't believe that
you don't need me anymore
I crawl back into
the pieces of our plane
I wish that we could fly again

Veto

Dafne disse:

Abre aspas -

Ohhh. 15 km de foda. Linduuuuuuuu. Mete o vibe no plástico bolha e só. Depois, música. Ou seja atropelado por uma bike - como eu.

Fecha aspas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mus(ic)a acorrentada

Fala sério. Nada mais tosco do que lista de música. Sim, essas listas das maiores ou melhores ou mais pops ou mais grudentas (seja o que for!) canções dos últimos sei lá quantos anos. É engraçado que as pessoas insistam em concretizar, objetivar, impregnar de estatísticas, calhas, algo tão melífluo e subjetivo – impondo seu maldito ponto de vista sobre o que está a perder de qualquer vista. Ou mais: encontrar critérios que justifiquem tal coisa. Acho que ninguém leva isso a sério. O Patrick Bateman escrevia resenhas de álbuns dos anos 80 – todas ininteligíveis e mega-adjetivadas, claro, zombando dessa síndrome de Tolstói de desejarmos colocar tudo que nos cabe nos limites da cumbuca da razão. Dia desses, entretanto, andei dando uma olhadinha lá na tal lista da RS de 100 maiores (o que é isso???) da MPB. Se for pelo tamanho, acho que a “maior” é aquela da Legião Urbana, Faroeste Cabloco, que tinha pra lá de 20 minutos e todo mundo cantava. Mas não. Curioso: o “pau” que se paga para o Chico Buarque é algo que precisaria ser estudado à luz da psicanálise. Deve ser porque ele é escritor e tem uma postura cool - praticamente a antítese da do Caetano, que todo mundo diz que odeia. E o Caymmi, tadinho, quase que foi esquecido. O resto eu não me lembro - muito loko! Eis a pergunta que não quer calar: será que é de música mesmo que essas listas falam? Ou, na falta de assunto, a galera se reúne na redação e diz: “Meô, vamos fazer uma lista! Vamos deixar geral fulo da vida! Vamos polemizar, música é o caralho! Uhuuuuu!” Rir é a melhor saída – e claro, dar uma olhadinha na lista, assim, de soslaio.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A dialética das relações humanas pós-apocalipse

É dialético. Paradoxal. Hegeliano. Quase marxista e, sem dúvida, adorniano. As opções de escolhas são tantas - tanto para nós quanto para os outros - que começamos a abrir (arreganhar mesmo!) nosso leque de opções mais restrito ou seleto. Assim, aquelas coisas que antes cultivávamos por algum tempo, aninhávamos em berço esplêndido, decifrávamos, passamos a descartar de imediato - isso porque, igualmente para os outros que nos acolheram de qualquer forma, somos a priori descartados qual produtos. Reagimos conforme "o chute na bunda" que levamos - ou seja, partimos para outra pseudo-escolha. Só que ampliando ou estendendo nosso leque de escolhas e diminuindo o tempo de consumo, além de nos tornarmos hiper-superficiais, examinando mal e porcamente o objeto de estudo, rebaixamos o nível em que se assenta o objeto - até o nível em que "qualquer coisa serve". Nesse rastro, e confirmando as proposições da Escola frankfurtiana, quanto mais escolhas temos, menos escolhas fazemos. A liberdade de escolha do mundo pós-moderno é a total falta de escolha. É catastrófico: vivendo em uma sociedade tão repleta de opções, estamos completamente sem opção.

Dafne disse:

Abre aspas -

A vida às vezes é assim: cheia de altos e baixos, mares e montanhas, valetas e picas - ops... picos???

Eis que o trumpeteiro toca.

Fecha aspas.

domingo, 18 de outubro de 2009

Quando o Tolsta veio me visitar!!! (3) e A Segunda Grande Guerra em Iasnaia Poliana

Na vida, se não for alho cru, tudo faz mal, tudo é uma merda, tudo é potencialmente fatal. É por isso que o Tolsta, cara esperto que viveu quase um século, era radical: não ouvia música. É... não lhe fazia bem aos ânimos. Tolsta, aliás, durante um bom tempo (cujo esvair-se, por sinal, é das maiores tragédias da existência) fez apologia à morte. E sem rodeios. Quem leu a “Sonata” sabe disso. Dizia que a morte seria a salvação e fim último da humanidade – simplesmente arredar o pé da vida, de preferência casto, sóbrio e em jujum. Achava bem pior, inclusive, a morte em vida do que a morte propriamente dita. E o que era a “morte em vida” para Tolsta? Basta ler qualquer livro dele para saber, já que este era, acredito, o leitmotiv de toda obra do autor. Muito vasto, né?... De qualquer forma, se é que era mesmo adepto de algo que não de si mesmo (!), Tolsta prezava a morte natural, a vida natural, o bom selvagem, a anti-carnificina, o mujique, o campo, a resistência pacífica – e não os tonéis de sangue e lágrimas que verteram por ocasião da II Guerra, sob a égide, sobretudo, de Hitler e Stalin (Putz... nem o Stalin merece um Hitler ao encalço dele, mas...). E é nesse agitado cenário, descrito por Antony Beevor no ótimo “Stalingrado – o Cerco Fatal”, presente do meu querido Ricardone, que nosso super Tolsta figura para um faniquito póstumo na presença de um bando de nazistas немецкий, aos quais, mesmo sem querer, deu guarita:

“(...) Por iniciativa própria, Guderian e Kluge começaram a retirar seus regimentos mais expostos. O primeiro tomou a decisão instalado na casa de Iasnaia Poliana, de Tolstói, com a sepultura do grande escritor no terreno defronte coberta de neve. Perguntavam-se o que ia acontecer em seguida ao longo de toda a frente central. Os profundos salientes alemães de cada lado de Moscou eram vulneráveis, mas o desespero e a escassez das tropas com que haviam estado lutando os convenceram de que também o inimigo fora arrasado e imobilizado. Jamais imaginaram que a liderança soviética estava arregimentando novos exércitos em segredo atrás de Moscou.”

Tolsta não quis comentar o intertexto. Mesmo por que, anarquista que é, não acredita na propriedade e muito menos em restos mortais. Eu, entretanto, juro ter visto ele resmungar qualquer coisa cabisbaixo (!).

Tolsta faria tudo para reviver aqueles dias plácidos em Iasnaia em que proseava com seu melhor amigo: o pangaré Kholtomer.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dafne disse:

Abre aspas -

Gosto de oferecer tudo que amo aos meus amigos. Gosto de oferecer os homens que amo às minhas amigas. Ando apaixonada por essa coisa de estar apaixonada – o que, na verdade, dizem, não é bom. Tô nem aí – tô apaixonada e sei de cor todo caminho de ida e de volta de tanto que já me embrenhei por esse mato sem cachorro, sem ida, sem volta, sem caminho...

Fecha aspas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Blok no Blog no Blok no Blog no Blok no Blog

(...)
O vento açoita, voraz.
O frio corta, feroz.
(...)
O vento vaga, a neve dança.
A coluna dos doze avança.
(...)
- Továrich, te entrega logo!
É inútil. Não há saída.
- Melhor ser pego com vida,
Te entrega ou eu te passo fogo!
Trac-tac-tac! - Só o eco
Responde de beco em beco.
Só o vento, com voz rouca,
Gargalha na neve louca...
Trac-tac-tac!
Trac-tac-tac...
... Eles se vão num passo onipotente...
Atrás - o cão esfomeado.
À frente - pendão sangrento,
Às avalanches insensível,
Às balas duras invisível,
Em meio às ondas furiosas
Da neve, coroado de rosa
Brancas, irrompe o imprevisto -
À frente - Jesus Cristo.
Trechos de Os Doze, poema do simbolista russo A. Blok de 1918. Tradução: Augusto de Campos

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O dia parte – e já é tarde

Era manhã. E guardava pra ti, por entre os cômodos da casa, a pedalar de saias, como quem aguarda o passo que vem na contramão, mastigando as sandálias no piso, o dia. Fantasiei-me de sonsa para ver-te, amor. Contudo, o dia parte – e o que chega já é tarde. Tu não vieste? Eis que o tempo retalha e ri, maltratando a fatia que guardei toda faceira pra ti.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Eis a gula do pecado...

Eles têm um ao outro. E um ao outro me tem – disse Lilia Brik.

Bem que te disse, de molho alfafa ainda hoje, que tentei falar com algumas pessoas, mas há tanta gente que não há, de fato, ninguém. Lembro-me que, para festa, não convidaria os perfis com foto. Preferi os avatares – sejamos tão iguais que praticamente idênticos. “Preciso embalar a toca em que me estoco para recebê-lo”. Vou presentear-te com uma lingerie importada de 1930 do Fetiche Brabo – loja da bisa em Copa. Vou servir iguarias picotadas do corpo, tipo lóbulos de orelha, estrias. Não sei lidar com nada disso: estou porca, dei para cuspir no chão e mastigar-me até os ossos fêmures. Lamber os dedos, babar muco bucetal como quem verte gordura de cabra pelas moneras. Eis a gula do pecado. Coalhada feito leite. Não me responsabilizo por patavinas e nem pelo amor que cansei de sentir cortar-me os pulsos do beiço. Afiei-me na humilhação. Empobreci-me na ofensa. Sô de sôfrega, sonada, sozinha e sonsa. Santa de hálito regional entre as cáries que prenunciavam um “T” tão delicado que desfalecia sem dizê-lo. “Culpa dela. Da Tiaaaa...”. É preciso haver culpados, senão ele se recusa a rodar o filme – o diretor: “Ação!”. Mas não há. Ação ou culpa? Já nem sei. De resto, era displicente também: reaparecia sem deixar rastros.

sábado, 3 de outubro de 2009

Quando o Tolsta veio me visitar!!! (2)

(Tolsta indo passear no Ibira pela manhã. Péla.)

Quem é o Tolsta? Gaúcho, mujique, apóstolo de cristo, retirante nordestino, anarquista, tarado, sadhu indiano, tuareg, profeta, monge ou, como todos os russos, um louco? Hmmmmm... Ah, já ia me esquecendo: escritor também é uma opção dentre tantas.

hhhh
Moramos no 12º andar, eu e Tolsta, no centro da cidade. São “Inferno de Dante” Paulo. Ele odeia pavorosamente essa turbina de concreto-vândalo que apita sem ressalvas o dia inteiro e quer ir para o campo – ou para qualquer destino feudal onde possa caminhar algumas verstas sobre um extenso e bucólico gramado. Eu, impaciente com sua lista interminável de reclamações, aconselho-o a ir dar um passeio no Ibira, na Aclimação ou no Parque Villa Lobos e não me atazanar o saco com esse papo Ctrl-C Ctrl-V de Rousseau. Poupe-me, bom selvagem.
- Second Life, Tolsta... – repreendo-o.
Mas ele ignora. Não entendeu ainda como nós, humanos do século XXI, podemos ter algo tal qual uma vida virtual.
- Não podemos, não podemos. É pura fantasia. Contextualize, poxa. É como na Bíblia. Ou você acredita em Adão e Eva?
- Niet – ele solta.
Tolstói é algo descrente. Não acredita em nada que, de relance e num vasto prado, não possa fitar, tocar, curar, abastecer com seu viço aristocrático dissimulado e bronco. De retidão apaixonada, queria ser padre, mas me pergunta, sem pestanejar, onde é o lupanar. “Não sei... mesmo” – respondo encabulada. Ele desconversa, diz que só queria saber se há algo do tipo nas redondezas e, quando eu digo que a cidade inteira é um grande bordel, um “Gogol Bordello”, um “American Bar”, que muita gente nem cobra pelo pernoite, ele murmura entredentes: “Diabólico, diabólico. Preciso andar mais por aí”. E fico matutando o que seria dele se fosse ao Love Story vestido daquele jeito e com os sobrolhos a meio. (Des)penso o impensável.
- Para que serve a razão? – ele me indaga de soslaio.

“O universo nada delicado da libido”, persuade-me Tolsta, “é bulímico e anoréxico – é um veleiro sob tormenta, é catastrófico, truculento e trágico, uma foda-relâmpago que tudo parece iluminar e subverter com seu gorjeio para, em seguida, apagar-se”.
Não refreio meu ímpeto de mulherzinha, já violentada por essa corja de canalhas, no bojo de Lilia 4-ever, no âmago de Grace, enfeixada por Suely, e metralho:
- A cabeça de baixo venceu Tolsta. Seus apelos à castidade e ao uso da razão não adiantaram muito. É sob a égide do pau, do falo, do pênis, do cacete, do alfarrábio masculino, que vivemos. E o mundo é uma rede de cabeças acéfalas interligadas de forma cruel. E, claro, um retardado querendo ejacular mais do que o outro. Poucas pessoas fogem a essa regra desumana. É tudo porra. É tudo porra...
Tolsta, entretanto, acredita que eu tenha descrito um procedimento científico e, fulo da vida, retalha:
- Oh, eu odeio médicos. Não me venha com essa conversa mole, guria.
Não entendo que tipo de parentesco o Tolsta tem com os gaúchos. Vira e meche ele solta uma bá, um guria, adora um chimarron, diz que lembra o chá feito no samovar. Enfim, isso me intriga sobremaneira.

Verbo de hoje: Arretar* (no presente do indicativo)

Eu arreto
Tu arretas
Ele/Ela arreta
Nós arretamos
Vós arretais
Eles arretam

*Provocar, atiçar, injuriar alguém. Ver "Arretado".

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quando o Tolsta veio me visitar!!!

Tolstói é algo desagregador de células. Pergunta-me se há qualquer coisa como morte virtual, portfólio vivo na internet, cemitério online e, em seguida, descobre o céu e o inferno do ciberespaço. É chato. Usa meu banheiro para uma ducha e grita: “Tu enfiaste a escova no reto, guria? Porque se for desse jeito não a uso para limpar as costas”. Cavalo. Kholstomer. Finjo que não ouço, indagando-me se antes de chegar aqui ele pernoitou com algum gaúcho. Esses escritores do século XIX acham que, ao invés de progredir, a humanidade iniciou um longo réquiem rumo à latrina, à contraparte sanitária de tudo que seríamos se não fossemos o que acreditamos ser. Seja como for. Tanto faz. No fim das contas, estamos, sobretudo e aprazivelmente, mais translúcidos e bem comportados, sendo que palavrinhas como cú, nessa geração, são pronunciadas aos quatro ventos e guardadas a sete chaves. Ou seja: assepsia suína.
Passo ao largo de mim mesma. Sublime no parque e a pique, confundo um pássaro com uma ratazana. Sossego: a coisa voa e baila e cantarola. Lindo. O pouco que tinha nas mangas se foi: precisei gastar alguns copeques com um tênis para ele. Mas valeu à pena. Hilário. O Tolsta de all-star fica absolutamente ridículo, e, o que é mais ridículo, preciso me conter para não rir nas fuças dele – ou ele me enfia de novo na máquina do tempo que acredita existir, pois, a contragosto, já andou vendo alguns filmes norte-americanos –, sendo esta tal contenção de despesas, água e risos o que há de verdadeiramente cômico na infame história.

Eis o tênis que comprei pro Tolsta. Ele achou cool, mas se disse adepto da resistência pacífica (!). Eu não entendi.

São Paulo é um desgoverno – e isso ele sente tão logo põe os pés na rua. Quer uma bicicleta – adorou. Na Paulista, segue a via tátil, por mais que eu lhe diga que aquilo é um caminho para cegos. Quando volto, atarantada, todos os mendigos da rua estão lá em casa – para ele são mujiques, imagine – mujiques russos que, como ele mesmo acha que é, despencaram por aqui. E palestra, palestra, palestra: sem fim, endless lecture, ad infinitum. Adora falar. Vous parlez français? – ele pergunta a quase todos. Comme Il faut. Um saco o Tolstói. Mala sem alça. Saudades da Anna e de suas correspondências miúdas. Essa sim foi uma visita, eu diria, troglodita: não saíamos da caverna nem para comer e, dá-lhe Vronski , pude tocar nas feridas adquiridas por ela no embate com o vagão do trem, pobrezinha. Foi quase como tocar nas chagas de Jesus Cristo. Inoportuno era manter seu vício em morfina. Acabou na cracolândia. Desde então, não sei que raios de rumo tomou na (sobre)vida.
À noite, já deitado, Tolstoi insiste em dizer que é o Levin. “Não, de novo não!” – penso. E que o personagem era um alter-ego dele. Dãããã. Eu, claro, não acredito.
“Como assim, Tolsta? Antes ou depois de Freud? Não me engane, hein.”
“Eu não acredito em inconsciente, guria” – ele manda.
“Nem eu” – emendo.

Nisso concordamos.

Já botei a vassoura atrás da porta. Mas o Tolsta não quer ir embora e já fez amizade com os "nóia" da rua. Ele não consegue entender que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Aff!...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Carta ao ET



Querido ET,

Como vai aí arriba (ou aí abajo, dependendo do point of view)? Por aqui você já sabe, né? Tá tudo uma merda. Só o desamor constrói – montoeiras de lixo, rios de espuma branca, miséria raquítica, invisible people, cultura vagaba, cinismo sensual, e por aí vai a perder de vista ad infinitum muito além de qualquer horizonte cinzento – como a CNN intergaláctica já deve ter divulgado. No entanto, há uma série de aforismos que, pairando sobre a tigela, conformam a massa, né, fofo? Coisas do tipo “O passado será sempre melhor”, “The show must go on” ou “Deus ajuda a quem cedo madruga”. E os humilhados e ofendidos? Vixe, Nossa Senhora, estes terão o reino dos céus. Terão sim, mas, antes, acho que esse show já anda mal das pernas e precisa dar uma paradinha. E a arte? No que se transformou a auto-proclamada (por uma horda de piadistas burgueses) e divinizada arte? Bloquinhos de gelo derretendo em Paris? Ah, faça-me o favor. Intervenções cômicas ao lado do banco anti-mendigos – eu diria. Certos surtos freudianos de introspecção alienada deveriam, por ora, ser categoricamente proibidos (Ah, inconsciente tem limite!) – mas aí é fazer como fez Stalin, né, o que já provou ser ineficaz. Então não chama de arte, poxa! Aqui reclamar não é nada cool, ET. Soa ultrapassado, antiquado, retrógado. Sinto falta daquele clima vermelhão de marte. Vermelho-sangue: adoro! Os terráqueos não cultivam muito respeito pelo verde ou pelo azul, por exemplo, e não me admira que você não queira mais pisar por aqui . Sabe ET, acho que a humanidade nem vive mais um retrocesso, vive um retrocídio, movendo-se para trás sem nem dar uma olhadinha pelo espelho retrovisor. E, ao que tudo indica nesse chamado retrocídio, já estamos na Idade Média, exatamente no filme do Bergman, já que tudo no sétimo selo é, de fato, sétima arte. No mais, sinto que a essência humana, essa que nunca se soube direito o que era, mas acerca da qual, com efeito, havia indícios palpáveis, volatilizou-se de vez. De concreto, só o marketing. E a vida, veja você, reside na idéia (ou no pseudo-pilar) de que é preciso “vender-se” para ser. É vendendo, portanto, que podemos comprar. Comprar o que? Nossa liberdade... de consumo (Uebaaaaaaaaa! Adorno rules!). Só – já que, infelizmente, só essa liberdade fake nos cabe. Tenha você acumulada a fortuna que tiver, tanto mais enganado é pela roda que o escraviza. Liberdade (o que você acha, ET?), na verdade, é desvencilhar-se disso tudo (não sou nada original, Platão disse algo semelhante). Camadas de marketing puro, à exceção dos enfants, há muito, ocultam la vérité – liberté, egalité, fraternité. Ideais sobrevivem apenas como pruridos no mamiloUUUUUUU – é o que parece. Depois passa.

Vou ficando por aqui, ET. Já escrevi muita besteira. Se escrever mais a Gannibal não me deixa postar no blog dela, sabe? Vai dizer que eu ando lendo muito... Hmmmmmmmmm.

Espero que não demore uma eternidade para pintar por aqui. Estamos sentindo sua falta. Suas aparições são tão divertidas!!! Muito melhor que arte pós-moderna! Apareça, viu!

Lembranças do Planeta Terra!
Inté
@nostálgica.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Adriana Melo no site da Revista TPM

É só entrar:

http://revistatpm.uol.com.br/perfis/wonder-woman.html

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um problema da condição humana ou uma porra de um adolescente retardado de 17 anos

Não sou sexista. Longe disso. Odeio quando alguém começa a dizer: "não, por que os homens são assim e as mulheres são assado". Geralmente é furada. Mas, nos últimos tempos - e tenho relutado em escrever isso - percebi um fenômeno diante do qual não dá pra fazer vista grossa: as mulheres evoluem. Passam da infância à adolescência e, assim, à fase adulta. Sim, as mulheres (pelo menos a maioria) tornam-se adultas. Os homens, entretanto, jamais passam à fase adulta*. Seja ele quem for, tenha ele a idade que tiver, será sempre e no âmago inviolável de seu ser, mesmo que não pareça à primeira vista, mesmo que lute por causas nobres e esbanje sabedoria teórica, mesmo que se julgue muito "maduro", uma porra de um adolescente retardado de 17 anos. É incrível. Temos que lidar com esse "problema", eu diria, característico da condição humana. Eu, particularmente, não vejo saída e não estou mesmo a fim de ficar especulando as pseudo-causas da tal desordem. Não suporto Freud. Alguns problemas são mesmo insolúveis. Por que é tão difícil às pessoas aceitar o mistério? Um adolescente retardado de 17 anos sobrevive no macho e para isso, infelizmente, não há qualquer explicação e nem tampouco cura. Seria algo similar, guardadas as devidas proporções, à TPM feminina. Fiquemos assim.

Clique na imagem:

*Salvo raríssimas e peroladas exceções.

sábado, 19 de setembro de 2009

Gian Lorenzo Bernini (1598-1680)











Barata e nada

"O dia é meu, o céu azul: poderia abraçá-los se quisesse. Á noite espezinho a tarde e mergulho sob os estrados da tapeçaria de lençóis, quando, em face de um cálido alvorecer, venho à tona arrolada a remelas e a estilhaços de medula.
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Ela era intensa, não cabia em si. Mundos arrolavam de sua pele, de seus cabelos. Era molhada.

... para depois procurar. Só que antes, muito antes - tão antes que já passou - eu tinha que fazer uma série de outras coisas, de mentirinhas, de entre-safras, de porra nenhuma, para só nesse ponto especifico, em algum momento indeciso, rijo e condensado, poder me safar de fininho, poder pular o muro, poder partir. Partir para procurar, procurar alguma minúcia, alguma reminiscência que - ufa! - eu acabei deixando de lado por falta de saudades.

Está feito: na verdade, eu ia principiar me embrenhando pelas caneluras da preguiça, pelo peitoril do que já passou, dispondo-me pé ante pé no cimento fresco, até resgatar do chão o montículo de flocos, até arrumar esse microlar que eu deixei às avessas, estando assim, nessa mesma posição - sentada, descadeirada, acomodada - como se varresse o entulho com os olhos. Depois, juntaria a bagunça num cantinho remoto, numa quina, empilhada, ereta, a fim de que nada me anuviasse a vista, e de que todos esses ciscos de meio-fio continuassem sendo próprios a isso, ao mínimo e inadvertido sinal da tormenta. Não há dúvidas: empenho-me nesse troço estática, sem ação, sem mãos ou pernas, sonolenta, quase sonhando, deitada, quase desmaiada, inerte, quase morta: a um passo de, na iminência de - apática. Meus calcanhares não respondem mais às ordens imperativas da minha mente. Mas é como se tudo não passasse de um mero desejo exclamativo sonado, dissimulando-se pelas intrincadas redes do não-fazer-nada-sem-movimento. ----------- Se tivesse sentido saudades, saudades constituída de suspiros, saudades do durante experimental, saudades das impressões perfeitas, saudades daquelas tigresas de tocaia na mata, saudades da obscuridade das coisas, saudades das incertezas fabulosas, ou se tivesse sofrido de dispnéia e saudades, se tivesse sido acometida pela insônia, pelo sonambulismo e pelas saudades - que sei lá que sufoquei -, se tivesse dilacerado meu corpo, minha alma e meu espírito de saudades - vomitado, urrado, me debatido, reivindicado - não precisava parar. Parar - para depois partir.

Ficar paralisada, indefinidamente, esperando - o quê? - toda bagagem de trecos escorregar por detrás de mim, todo o sangue, todo o tumulto de lixo se espraiar pelos móveis da casa, ansiando por aquele documento vazio - o ultimato da vida -, para daí emergir da letargia, afoita, como uma âncora lançada ao mar e logo em seguida içada. Parada, quase que meio alucinada, recurva, dedilhando notas sem som sobre o teclado, solfejando estribilhos de letras mudas, imundas, açoitando um mundo estranho e comprovadamente impossível. Eu, eu, eu - tomando fôlego pra continuar -, por que não tenho, ao que parece, saudade daquela infantaria de desejos que irrompiam de meus poros, feito calafrios inumanos, feito frutas de doces no pé, feito lulas e tentáculos, chocando-se ao perecível, ousando-se aos contra-sensos, importunando meia orbita e meio mundo de otários sem governo e direção. Eu, eu, eu, sempre eu, quando é difícil respirar para abortar o ontem - e que se foda o antes, e que se danem os documentos e registros extraviados, e que se enterrem os mortos -, para desencorajar o medo de afogar tudo isso em mim, para viver na base sôfrega, porém saborosa, da saudade."

Da série: A memória que chuta o cerebelo

"Ia em meio o ano de 1924 quando, tendo resistido na cidade de São Paulo, entre 5 e 27 de julho, ao assédio das forças do governo, os remanescentes militares da segunda rebelião tenentista deslocaram-se para o sul, para agrupar-se na praça de Catanduva. O ano se aproximava do fim quando, em outubro, irrompia novo movimento tenentista, na região missioneira. Cercados por forças governamentais muito superiores, conseguiram os revoltosos, ao comando do Capitão Luís Carlos Prestes, romper, em audaciosa manobra, o referido cerco, deslocando-se para o norte. Essas duas colunas, a que se originara em São Paulo e a que se originara nas Missões, encontraram-se no sudoeste do Paraná. No acantonamento de Santa Helena, a 14 de abril de 1925, era baixado o Boletim nº 1 do Comando da 1ª divisão revolucionária, constituída pelo agrupamento daquelas duas colunas. Esse agrupamento ficaria conhecido, dentro de algum tempo, como Coluna Prestes (...)".
Nelson Werneck Sodré em A Coluna Prestes


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Brian Boyd em evento imperdível na USP


Clique na imagem para visualizar melhor.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Da série: sinceridade gauchesca (!)

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Eu: Mó legal "tu" ter vindo Gauchinho. Não esperava. Por que "tu" veio???

Gauchinho: Bah. Por que eu não tinha nada pra fazer.

Nothing to daclare.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Homens ao pé do sol

Hoje são todos barbudos – os homens. Sim, esses meninos que se aninham acuados feito filhotes, sob capotes. Tenho cá comigo que o homem de verdade talvez seja imberbe. Uma quase mulher. Mas só desbigode ralo do ser nu. Homem que viole o íntimo da história e desmereça o vendaval que nele assanhe os pelos. Sem pelos. Abaixo da derme imaculada – e epi-livre. Livre de ser o ter, por ora, no lume da história vil do macho, essa que tantos já fizeram doer - ele mesmo: refém perpétuo do sexo-escarro. Eis, por sinal, a virilidade do amor. Algo como o avesso ao pau – mesmo sendo dele, você, um devoto senil. O bom senso, virtude irrefutável, lhe proporcionará, assim, escolhas à revelia do quedar sob a égide ingrata do falo. E o mundo, embasbacado, será desse czar estéril, comum, galhardo, absorto em sua razão soberana. Um macho-rei, portanto: alheio à herança maldita que há tanto o guia, consciente de sê-lo na extensa plenitude do nós. Sem amarras. Sem rancor. Ser-eno. Celebremos a plenitude silente do nós. A liberdade do gozo, prolífico, relegado a todas as instâncias do outro, enfim e por fim, logrará. E seremos no ato, homens e mulheres, cambada humana arredia insana, ao bel prazer do imaculado, encontro. Encontro este puro e perfeito – no acaso do mais recôndito amor. O homem de verdade – na aurora do amor, vencerá.
Boreal.
Orgia ao pé-do-sol.

Modernismo russo na Casa das Rosas


domingo, 6 de setembro de 2009

....................................Esquece.

No inferno, trabalho como jornalista. No céu, ainda não tenho uma atividade certa. E saio pela cidade de vez em quando, dobrando-me às esquinas, até que com todas elas enfeixadas às minhas ancas, espiraladas ao meu tornozelo, possa, enfim, tropeçar e estabacar-me (!) - ou, melhor, erguer a blusa voluntariosa e louca como quem levanta uma bandeira e mostra a todos o resultado de tamanha efervescência: a inscrição que trago tatuada abaixo dos meus seios, rígidos e nodulados, cancerosos talvez, no volteio sob a cloaca: não estou disponível para o pernoite. É vero. Depoisssssssss, tento relaxar e, quando percebo, rodopio lívida qual um carretel do qual se puxa a linha, sabe? Neste caso, entretanto, linhas são como ruas, avenidas, retas, mares que, galgando pelo cabo das esquinas, pelas ondas, pelo anzol que vara os séculos, arrolei ao meu corpo flagelado e nu. Muito embora, como mencionei outrora, não vai rolar. Na verdade, não agora, que me sinto fula da vida. Que não me sinto. Que... sinto muito. Sinto tanto que chega a doer.

No fim, é preciso comprar-se. Como foi, como era e como sempre vai ser. É preciso comprar-se. É?... É preciso comprar-se - e não vender-se - todo mês.

sábado, 5 de setembro de 2009

African Rhythms - Pra se jogar, cair e levantar imitando frango (!)




Assim????



OMG!!!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

The roots of acid jazz - Pra dançar igual ao Zé!



Para baixar:
http://rapidshare.com/files/134836898/The_Roots_of_Acid_Jazz.rar

01. Dizzy Gillespie - Swing Low, Sweet Cadillac
02. Chico Hamilton - For Mods Only
03. Quincy Jones & His Orchestra - Hard Sock Dance
04. Oliver Nelson - Stolen Moments
05. Shirley Horn - Big City
06. Gabor Szabo - Beat Goes on
07. Sonny Rollins - Hold 'em Joe
08. Hank Jones - Winchester Cathedral
09. Shirley Scott & Stanley Turrentine - Ciao, Ciao
10. Gato Barbieri - Podrida
11. Keith Jarrett - Southern Smiles
12. Pharoah Sanders - Creator Has a Master Plan
13. Coleman Hawkins Quintet - Go Li'l Liza
14. Yusef Lateef - Slippin' and Slidin'


Entonces, estava procurando informações sobre o álbum acima e acabei descobrindo um blog fenomenal, o let's go get it: ele não faz nada mais nada menos do que disponibilizar uma pá de álbuns legais (muitos deles fodásticos!) para download! Sensacional! Let's go get it!

domingo, 30 de agosto de 2009

No parachutes, no shelter...

Sinto-me no topo de uma Beleza etérea – a qual, entretanto, não me foi dado o direito de ver ou circunscrever.
Apenas sinto.
Cintila, portanto, pelo ar que dentro de mim circula, uma beleza consciente de sê-la.
Beleza, avesso da aparência, construída de percalços, viva.
Esteio e leito por onde navegam lembranças de decênios e milissegundos, conforme a velocidade de cada ato, voluntário ou compulsório, silente ou ruidoso, desmemoriado no presente e perpétuo de sabores que decolam parachutes a perder de vista.
É tão humano quanto a essência do ser – e carrega, em suas vitrines, um quê de fálico, mas não ultraja, só reproduz, tal qual emas na savana africana.
Paro. Apresento-lhe meu sexo, Beleza etérea.
E suplico-lhe por um cafuné, shiatsu a meia-luz, beliscão.
É por ti que, esperançosa, já que me alças ao topo do mundo, e me vejo aqui a tocar as sílabas do céu, que continuo a galopar.
Dou voltas ao mundo em 80 passos.
É por ti que me entrelaço aos homens, ignorantes de sua bondade, de seu poder, desse jardim que pare com tamanha anuência.
É por ti, Beleza etérea, Amor recôndito, dimensão aos homens oculta, que pedalo.
Eis a minha bike: sangue matador.

As atitudes equivocadas acima listadas ensejam, via puro acaso, um encontro: Francis "louco-cara-de-bulldog" Bacon e William "junkie-beat" Burroughs. Fico pensando (em russo) cá avec moi même qual era exactly o tema em pauta. Alguém arrisca?

sábado, 29 de agosto de 2009

Praiaaaaaaaaa! Lá vou eu!!!!!!!