segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O twitter e a legitimidade do ser via publicização virtual
Show de Truman? Balela!... Hoje todo mundo tem seu show particular e ele começa com @.
Da mesma forma, você não precisa entrar em um buraco negro para ser John Malkovich - entre no twitter e seja quem você quiser.
A legitimidade do ser, hoje, passa pela publicização do ser na internet. Chegaremos a um ponto em que cada pessoa terá uma câmera acoplada a seus olhos filmando a própria vida full-time. Vamos editar e postar esse filmete no fim do dia no twitter-eye - ou, melhor, ele será transmitido ao vivo, já que sem esse olho não "seremos mais nada". Nada? De súbito, isso soa atraente. Nem Habermas, ao dissertar sobre o espaço público inerentemente burguês, nem Orwell, na obra-prima 1984, nem ninguém, ora pois, poderia imaginar tamanha tragédia. Acho que o Andy, aliás, foi o único que acertou na mosca - também, era pop.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Revisitando (vapt-vupt) Cocteau
Aos amigos que querem conhecer o Camboja...
Fumante - Impossível, eu flutuo.
Homem normal - Seu corpo chegará bem depressa lá embaixo.
Fumante - Chegarei lentamente depois dele . . .
domingo, 26 de julho de 2009
Ele reproduzia, sem o saber, todos os males que acreditava odiar...
Então lembrei daquela história. A do sujeito, a do homem, ouso dizer, que foi, a princípio, muito gentil com Mariana por que queria usá-la como remédio para curar algumas feridas adquiridas no hiato da solidão. Como lá pelas tantas, a coisa, a Mariana, não serviu a contento, ele, claro, a jogou no lixo, como cartela vazia que era. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana não era uma coisa, Mariana era um ser humano. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana era, sim, tão ser humano quanto ele. Só que ele não sabia, pobrezinho: que, ao tratar as pessoas como coisas, ao tratar Mariana como coisa, ele reproduzia toda a dinâmica social (capitalista, cretina, individualista, desumana) que julgava odiar e lutar na direção contrária. Eram nesses “pequeninos” gestos, mais do que em qualquer outro tipo de ação – Mariana pensava depois, sentindo-se infeliz por acreditar no homem – que o homem, ouso dizer, abastece toda a engrenagem que finge odiar, transformando pessoas em coisas consumíveis ao inserí-las na lógica do capital. Afinal de contas, nessa sociedade que amamos odiar, tudo é (não é?) produto, coisa, consumo, superfície, função, troca, lixo – a começar (e a acabar) nas relações humanas. Só que ele não sabia, pobrezinho, tão preocupado que estava com o próprio umbigo, de nada disso.
Ocupe e resista Mariana. Continue acreditando no ser humano. Eu também acredito...
sábado, 11 de julho de 2009
debandada de chimps, vida e milagre
Bufalada: manada de búfalos na plácida savana africana.
Até onde eu sei, a razão, essa coisa que nos difere dos animais, e a qual tanto apreço devotamos, é também o que nos confere a capacidade de escolha. O tal do livre arbítrio. No entanto, pensava cá comigo: "Sob um determinado prisma, a razão nos torna pior do que os animais, uma vez que passamos a negar irresponsavelmente o que nos é natural e, por sua vez, naturalizamos, encantados, o artificial". Daí, quando o natural que há muito desnaturalizamos (mas que é o real e, portanto, o que existe) nos surpreende no cotidiano, não sabemos com ele lidar ou dialogar. Simplesmente não o suportamos. Ele nos soa estrangeiro, alheio, caro, irreal. Eis que, por exemplo, nos intercepta a morte, a mais natural das contingências da vida. A partir do momento em que forjamos o luto (leito) no qual ela deságua, obviamente sem o saber, imperializamos o ego, centralizamos o eu, destronamos o outro e, nesse arcabouço asfixiante, os habitantes da savana já não podem pressentir a vida que se achega em desbunde e sem alarde. Silente. Perdemos, assim, o faro dos elefantes, dos búfalos, das gazelas, regredindo a uma razão "divina" e ingrata, alheia ao manancial dos arredores que, miraculosamente, tão logo a seca vingue, apruma-se no deserto.
A natureza inventada racionalmente, de acordo com leis sobretudo científicas, humanas, atrofia nosso olhar de lince e converte em traumas inefáveis o que a outros seres é o comum - visto que inseridos no contexto de suas comunidades. Naturalizar processos equivocados (egocêntricos) pode render ao homem fraturas irreparáveis - e fatais. Não por que redundam na morte, mas por que deslocalizam-na, bem como a incontáveis outros elementos de um curso genuíno, normal. A seca, não raro, faz parte do bem viver.
Não é só a nível da baleia que golpeamos o natural. É, sobretudo, no perímetro cotidiano, urbano - esse que a duras penas nos suporta.
O passo dos elefantinhos... 1, 2, 3, devagarinho quase parando. Um vai cheirando o rabo do outro que, inevitavelmente, fede. :-)
PS: Isso não tem absolutamente nada a ver com Rousseau ou com qualquer corrente ambientalista ecochata. Eu tava vendo Discovery Channel da janela aqui de casa...
domingo, 10 de maio de 2009
Uma nota iconoclasta sobre o mito Grigori Iefimovitch Rasputin
Rasputin era só um produto aberrativo de uma sociedade que vivia de forma muito intensa, austera e, nesse sentido, por vezes equivocada, a religião que lhe dava contornos. O que esperar de um povo que “devia” acreditar que o Czar, por exemplo, aquele mesmo Czar que punha vinagre em suas feridas, era um enviado de Deus? Não. Rasputin não era louco, não era mau, mago, charlatão, ocultista, satanista, vidente ou bobo da corte. Era só um mujique siberiano simples, forte, viril, provavelmente encantador em sua simplicidade e inteligência persuasiva e despudorada, que usava o instrumento ideológico que tinha nas mãos (o cristianismo), no qual depositava uma fé autêntica, a seu bel prazer. E prazer, até onde eu sei, sempre foi sinônimo de pecado. Eis o maior deles: a luxúria. Já era, inclusive, um camponês (e, portanto, um “proletário”) que havia astuciosamente alçado ao grau mais alto do poder ao se tornar o principal conselheiro de Nicolau II – tendo sido assassinado apenas em função disso. Ou seja, um proletário (porque não?) a tomar o poder antes de 1917. Um feito, sem dúvida. Yussupov, um principezinho com cara de bunda, não aceitava que esse “czar acima do czar”, que mandava e desmandava no destino da família imperial, era pacifista e ainda por cima comia a mulherada, fosse um camponês e, portanto, pertencesse a uma classe inferior. Então, envenenou-o e matou-o em um episódio dos mais grotescos, já que o cianureto que havia nos bombons e no vinho não fez qualquer efeito no corpo do stariets e uma bala só não o derrubou. Depois, o dandy do Yussupov ganhou fama em cima disso."Se quiseres, meu caro, te nomearei ministro. Por
que ris? Por acaso pensa que eu não posso fazer o que digo? Oh, eu posso tudo, eu faço tudo aquilo que quero. Todos me obedecem. Vais ver: farei de ti um
ministro".Eu acredito que...
No mais, vamos combinar: não devia ser mesmo difícil engabelar aquele bando de almofadinhas. Quanto ao trágico fim dos Romanov ou de qualquer ser humano, eu sigo acreditando que não há revolução alguma ou sistema “científico” que justifique o assassinato de crianças. Muito longe de ser o ideal...
A ortodoxia criou outras aberrações nesse sentido, como o Conde Liev Tolstói, que também tinha lá sua vertente rasputinesca que a razão extravagante não o deixava liberar. Fundou a corrente filosófica chamada de tolstoismo – através da qual foi auto-proclamado um apóstolo de Cristo. Gogol foi outro que pirou ao fim da vida por causa dos desígnios divinos ortodoxos e acabou cometendo suicídio. Aqui no Brasil já teve muito maluco desse tipo também, só que, apesar de terem tentado, nunca chegaram ao poder. Ou não. Não sei. Por incrível que pareça, dos grandes escritores russos do séc. XIX (o que é mais a minha área), só salvava o Dostoiévski. Esse, do início ao fim, a despeito de tudo que passou (epilepsia, 10 anos de prisão, fuzilamento encenado e o escambal), e seus romances estão aí para comprovar, sempre foi um sujeito são e equilibrado. Um gênio incomparável e inspirador.
Enfim, Rasputin era gente boa.
Para ler:
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Razões para odiar a tecnologia * **
A tecnologia, essa que vos fala de inúmeras formas, é só mais um meio que algumas pessoas encontraram de “funcionar” (ou seja, exercer funções) melhor nessa sociedade de avestruzes, como elevadores ou essas coisas robóticas que simplesmente “funcionam” automatizadas, sem dar satisfação de nada a ninguém. E não são, como poderíamos pensar, operadas por seres humanos, são programadas por um bando de vigaristas, o que é muito diferente. Um relógio que é programado para tocar às seis horas da manhã, vai tocar às seis horas da manhã – e isso independe do estado como você estava quando cruzou a porta de casa às cinco. Se, por outro lado, ele é operado humanamente, você vai acordar no momento que lhe for mais conveniente. Operar sugere que haja uma mão humana toda vez que se exerce uma ação; já programar é totalmente desumano, é funcional, é potencializar a máquina. Vivemos em uma sociedade de máquinas e, de cada vez mais, pessoas programadas ( já que peças desse meio-de-produção) – e que se dane o fator humano de qualquer coisa. Adapte-se. A porta do metrô fecha em 10 segundos – e a moça que prendeu o salto no vão e vai ser levada pelo arranque do motor? Foda-se.
A sociedade industrial foi se tornando com o passar do tempo essencialmente programada, mecânica, alheia ao humano de qualquer coisa, e as pessoas, com seus brinquedinhos celulares e i-phonicos, entraram nessa onda. Por inúmeros motivos, que você não faz idéia, alguém que no tête-à-tête te trata como um anjo e com quem você jura que tem uma sintonia peculiar, programa o celular para não receber mais ligações suas – e que se foda você e os motivos do por que você está ligando para ela. Ela se programou, através da tecnologia, para não te atender, para te descartar solenemente, para esquecer que você existe, coisificando-o como uma peça que já não lhe serve – e agora, ao invés de perdemos o braço na geringonça de prensar frigideiras, perdermos parte de nossa alma em meio a essa horda de desalmados, de pessoas que temem o encontro, o humano. É paradoxal, mas a tecnologia só criou mecanismos de encontro que, em determinados contextos, só favorecem o desencontro. Contudo, esse cinismo todo nos parece muito natural, pois a timidez pequeno-burguesa a tudo redime, o comodismo de apertar um botão nos faz senhores de nosso próprio nariz ao vivenciar uma pseudo-liberdade hiper-equivocada, e perdemos, nesse rastro, a capacidade de compartilhar o que quer que seja com o próximo, de encará-lo olho no olho e sofrer as conseqüências desse ato, de dar a cara à tapa. Nos programando, nos livramos, assim, do que nos parece, pelo menos no espaço imediatista da ligeireza da máquina urbana, inútil ao caráter funcional do ser. E não somos mais, apenas funcionamos enclausurados, isolados do outro e das normalíssimas relações conturbadas e febris que com ele se trava, esquecendo que a “única” coisa que de fato existe nessa porra de mundo é isso: o outro; que a mais linda paisagem é a do rosto humano; que a arte, o trabalho, e tudo mais que fazemos, existe somente em função das pessoas – aquelas das quais fugimos propositalmente e temerosos de que percebam essa fuga ou venham nos perguntar: por quê?
Tem gente que tem medo de gente por aqui (Esse Pê) . Eu, particularmente, acho isso estranhíssimo e inusitado. Hoje muita gente não atende o celular quando vê, em função do advento da bina, que é um tal fulano que está lhe telefonando e com o qual ela não quer falar sabe-se lá porquê. Será que essa mesma pessoa expulsaria esse fulano de sua casa e bateria a porta na cara dele? Não sei. Mas bate o flip. A tecnologia transformou um bocado de pessoas (e me desculpem as que não se enquadram nessa lógica e que usam os apetrechos high tech para o bem) em hipócritas resignados. Isso me perturba bastante. Vou me mudar para Iasnaia, para uma aldeia indígena, para um lugar interiorano onde não haja bina, msn e no qual se possa confiar, verticalizar as relações. Ou ficar por aqui - ocupando e resistindo.
*Texto levemente inspirado na aula do Sérgio de Carvalho.
** Texto escrito no ápice da TPM.
sábado, 18 de abril de 2009
(((((((A "polêmica" do Touro Catalão)))))))
"Cada um de nós é culpado perante todos, por todos e por tudo".
F. Dostoiévski
Minha relação com os animaizinhos domésticos é nula. Quando um cachorrinho de um amigo meu morre eu não sinto absolutamente nada. Ou, pensando bem, um certo alívio de não ter mais que aturar as lambidas incovenientes daquele ser quadrúpede toda vez que vou visitá-lo. Lembro-me de quando o pitbull insuportável de um ex-namorado pulou o muro de dois metros de altura da casa dele e deu linha. Ufa!... Não compartilhei da comoção do resto da família. Aquele bichinho terno, mais cedo ou mais tarde, ia acabar cravando seus dentes afiados em alguém. Dia desses, entretanto, hesitei bastante meu pé antes de esmagar uma barata das mais asquerosas. Juro que passou pela minha cabeça: "É uma vida!". O mesmo tem acontecido, invariavelmente, com as formiguinhas-operárias. Elas são uma graça. Será que estou me tornando uma jainista (!) das mais radicais?Na verdade, se "comunicar-se" é sair de si mesmo e "entrar em comum" com o outro, partilhando o que há de semelhante, que tipo de comunicação eu posso estabelecer com um cachorrinho além do óbvio ululante de que tanto eu quanto ele estamos vivos? Bom, o fato é que essa me parece uma comunicação muito básica, demasiado sutil, quase etérea, "telepática" e, sinceramente, admiro as pessoas que amam seus bichinhos e decodificam sua linguagem. Não é à toa que a criançada se dá muito bem com eles - para elas, sem dúvida, é mais natural atingir esse estado lúdico e, a partir daí, celebrar a vida em todos os seus matizes.
O que eu não consigo comprar, contudo, é o discurso das sociedades protetoras dos animais - que, como a WSPA, treme ao ver um touro catalão sendo dilacerado com farpas e estacas, em um espetáculo dos mais grotescos, por um toureiro sagaz. Tudo bem, é terrível. Concordo. Apesar de me sentir atraída pelo "show" em si, muito em virtude de seu caráter popular, não sei se teria estômago para tanto. E, no mais, matar um animal com requintes de crueldade para fins de mero entretenimento, além de nos remeter ao homem medieval, ao homem animalizado pela falta de escolhas, não é aceitável em qualquer hipótese.
Mas o que soa hipócrita em discursos assim é que:
1º) Mal ou bem o homem continua se digladiando e se matando na periferia do mundo por uma série de motivos os mais básicos ou os mais sórdidos - e não tratar isso como uma prioridade é tão risível quanto vencer uma maratona correndo-a de carro. Não raro, campanhas desse tipo, e especialmente às relativas ao meio-ambiente (ex: aquecimento global), parecem estar completamente desconectadas da realidade, ou não suficientemente integradas ao que é o humano por excelência, ao day-after-day suado e sacrificado do trabalhador, do pedinte, do miserável, visando tão somente desviar nossa atenção do que realmente importa no mundo e, por outro lado, redimir o pequeno-burguês de qualquer sentimento de culpa em relação a o que quer que seja. A despeito das imagens e previsões catastróficas, tratam-se, eu diria, de "amenidades". É válido dizer que quando um tsunami varreu a Ásia dia desses, ninguém parecia saber de nada.
2º) Não aceitamos que animais sejam abatidos ou torturados na arena de um "circo", mas aceitamos que eles sejam abatidos e torturados para o consumo humano. Tudo bem. Nada mais justo - afinal de contas, precisamos nos alimentar. Só que todo mundo sabe que essa matança já ultrapassou em muito a cota do mero consumo humano e atingiu, veja você, a cota de "entretenimento" dos empresários que ganham rios de dinheiro com a produção pecuária e frigorífica para, imagino, se divertir.
3º) A verdade é que ninguém sabe ao certo o que é a chamada "vida animal". As pessoas intuem. Os cristãos acreditam que os animais não tem alma - o que é um conceito dos mais profundos (vai explicar o que é alma!). A maioria das pessoas, levadas pelo senso-comum, concorda em dizer que os animais são seres irracionais, uma vez que, sendo prisioneiros do instinto, não possuem o livre-arbítrio, não sofrem do mal da indecisão, distinguindo-se claramente dos humanos. Eu, particularmente, não sei, mas algo me diz que são todos um bando de autistas. Well, o que eu sei é que ao se deparar com o sofrimento animal muitas pessoas transferem essa sensação para si mesmas. O que é perfeitamente normal. O inadmissível é que essas pessoas penem mais com a pseudo-angústia de um filhote do que com a angústia real de uma criança em cujas veias corre um sangue que poderia ser seu. Eis a grande questão "social" de nossa era: "comer ou não comer o hamburguer do Mc Donald's?" Precisamos, antes de qualquer coisa, entrar em comum com aquilo que nos é comum - o humano. Senão, não faz sentido algum proteger os pobrezinhos dos animaizinhos. Será zelando pelo homem que nos tornaremos mais humanos em relação às outras formas de vida que conosco co-existem.
Na melhor das hipóteses, fiquemos com a vingança do touro (!):
PS: É por isso que o Zavala é vegan...
segunda-feira, 2 de março de 2009
Da Rocinha ao Leblon e do Leblon à Tijuca
Existem poucas pessoas que vivem no mundo real. Uma delas, dentre essas poucas, é o Marcelo Yuka. Independente do que houve com ele (por duas vezes, como ficamos sabendo hoje), o cara sempre fez questão de permanecer neste lugar - e passou a sofrer na pele o corte da realidade quando ficou paraplégico. A luta pela vida, ou pela plenitude da vida, nos faz tangenciar de forma muito sincera a realidade e, por sua vez, perceber que esta pode ser tudo, menos egoísta. É, como já disse o Nei Lisboa, estar na "luta armada disfarçado de cantor". É exterminar o Thomas Edson Jr., como fez Grace em Dogville. É ver no outro nós mesmos e, dessa forma, saírmos do isolamento gerado pelo egocentrismo, que nos lança aos distantes alpes de lugar nenhum.
))))))))
Bom, eis a lição: se por um lado o sofrimento desloca boa parte da humanidade para a senda equivocada da armagura, onde todos os demais são culpados pela miséria daquele que sofre (auto-piedade é uma merda e, se o apocalipse existe, é para lá que ela está nos levando), por outro lado, através da experiência do sofrimento (ou da experiência da própria vida, puxa!) muitas pessoas abrem as cancelas do mundo real, que, embora não pareça, é de fato o melhor e mais solene dos mundos: o mundo em que estamos e, sobretudo, o mundo que, sem muito chororô, devemos lutar para que se torne cada vez melhor.
O mundo da fantasia
(denegrindo de vez a imagem das "patys" cariocas...)
Tive um exemplo bem claro de pessoas que vivem no encantado mundo do delírio neste domingo, quando fiz uma caminhada com alguns grandes amigos para a Pedra Bonita, em São Conrado. Até aí, tudo bem. Quando retornamos, entretanto, havia duas meninas (que eu tinha acabado de conhecer) que queriam ir à praia. Tudo ótimo! E eu disse: "Vamos?". E uma delas disse: "Aqui???". E eu: "Claro, qual é o problema? São Conrado é uma praia tão bonita...". E ela: "Você não sabe??? O problema é que é uma praia super mal frequentada: desce geral da Rocinha para vir aqui". E eu disse: "Sério???". Enfim, as gurias partiram de ônibus para o Leblon e eu permaneci por ali, um tanto intolerante, esperando por pessoas que "pensam" e que já pularam faz tempo do pedestal da esteira rolante. Acabei indo para São Conrado, claro. O curioso da história é que as meninas eram da Tijuca e, na verdade, o mesmo preconceito que elas demonstravam contra a galera da Rocinha elas iriam notar no olhar irônico dos moradores do Leblon, que acreditam, por sua vez, que tijucano é suburbano. Enfim, como disse o Dani Ribas, foi uma justiça poética digna dos equinos. Às vezes, o mundo fica de fato "cronicamente inviável". E já que o Yuka é tijucano, e admiravelmente se recusa a sair do bairro, que ele seja também um baluarte do mundo real por aquelas bandas de lá.
)))))))
PS: Descobri que não são as mulheres propriamente que são de Marte. São as patricinhas. Meninas, parem de malhar os glúteos e voltem ao planeta Terra!!! Aliás, em vez de filhos, as mulheres daqui a pouco vão começar a parir glúteos - ou, quem sabe, culotes. Eu, confesso, já malhei muito os glúteos - mas parei. Agora só corro...
sábado, 7 de fevereiro de 2009
- - - - - - - Extermine o Thomas Edison Jr!
1) Tentativa de invento: o “nada” e o problema urbano
1,5) O In-telectual versus o Out-telectual
2) Tentativa de solução do problema
O nada, portanto, que Grace extermina sem dó e por amor à humanidade, é a teoria do imprestável, essencialmente egocêntrica e nula. Ou mais: o discurso cotidiano, errático, fake, chato, non-sense, grotesco, irradiado de todos os cantos do planeta que não adentra o campo da ação e que, por isso, torna-se altamente pernicioso. Não basta a prática "sem alça", evidentemente. Muito menos a prática pautada em interesses escusos, vazios. E o que, lamentavelmente, mais existe por aí: a prática que refuta completamente o blá-blá-blá que lhe reclama a autoria. Para expulsar o nada de nossas vidas, é preciso que aniquilemos qualquer vestígio de Thomas Edison Junior – cuja função é nos guiar rumo à inutilidade de coisa alguma – e passemos da teoria à prática, traçando uma ponte Mente-------------Ação, Eu---------------Nós. Revolution Action: ação autêntica que visa primordialmente o bem-comum (sim, vivemos em sociedade, esqueceu?) e que tende a dissipar esse entediante “nada” amarrotado e desbotado de nossas vidas. MATE o Thomas Edison Junior e seja feliz. :-)







