domingo, 23 de agosto de 2009
Pro domingão paulistano - cante Lobão (e invente outras memórias...)
E aqui tá tanto frio
Me dá vontade de saber...
Aonde está você?
Me telefona
Me Chama! Me Chama!
Me Chama!...
Nem sempre se vê
Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima!...
Tá tudo cinza sem você
Tá tão vazio
E a noite fica
Sem porque...
Aonde está você?
Me telefona
Me Chama! Me Chama!
Me Chama..."
Fui lá ontem. Quando entrei, elas me receberam como se eu fosse alguém muito especial – e de fato era, já que todos somos, ora pois. Incrível perceber-se alguém muito especial nessa cidade torta. Diziam-se revolucionárias – e eram. Passei o dia inteirinho por lá, na ânsia de ouvir jazz, entre livros, metafísica e arrepios, do tipo: “Uma palavra vale mais do que mil imagens”. De fato, com imagens não podemos pensar no que quer que seja, só imaginar. O que é ótimo; embora em dias como esses, de descalabro nu, seja preciso pensar, refletir, raciocinar e agir. De resto, também deglutia, alheia a engasgos, aquele bando de histórias que me aturdiam embaladas feito vagões de locomotiva e adentravam afoitas, em looping, em minha boca caudalosa, salivante, esgueirando-se pelo esôfago e assentando-se no estômago, no bojo de pavores e bolores gástricos eslavos. O almoço ainda me escapulia em pílulas de arroto: bafos. No prumo da assepsia – algo terrível. Algo que eu, naturalmente e sem perceber, disfarçava. Sentia-me no meu lugar – e acabei encontrando uma edição portuguesa de um raríssimo exemplar do Turgueniev. Amo. Pensei em tantas pessoas que amo, aliás – e o quão longe e próximas elas podem estar de mim a um só tempo e espaço. Abismos que se desfazem em um piscar de olhos quando – e especialmente – este estilete que trazemos a reboque e a contragosto cessa repentinamente de circunscrever sulcos ao nosso redor ou de machucar aqueles que não somos. Contudo, já de volta a casa, o cio de meados do mês provocou-me sonhos eróticos, verdadeiros pesadelos, concedendo-me, de presente, um encontro com o avesso do menino. Merda. Não entendi quando ela disse que deveria tolerar. E me deixar mutilar? Não. Algo pertubador – e, por ora, já nem quero expor meus copiosos tropeços ou falar sobre nada disso. Prefiro continuar por lá, semeando conceitos, ao encalço de um homem formidável que, dentre outras coisas, perguntou-me se estava tranqüila enquanto palestrava pela enésima vez a respeito da história de minha terceira vida – não a última, espero, mas a mais deslumbrante e orgíaca, consciente de seus prazeres infames e de sua beleza divina. Pedi para sair depois que me ofereceram companhia e um jantar perfumado. Alguém ia tocar piano. Havia, em uma esquina pouco visível, uma balalaica também. Alice e Carrol. Pena... meu tempo de paraíso havia se esgotado.
Holofotes tonitruantes espocam na sílaba. Bá. Algo mesmo como um “bá” gaúcho. Sorry – Des-leia.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
and carried away
I got turned, turned around
I got caught in the store
that's what happened to me
and you can't see me for a while..."
sábado, 13 de junho de 2009
Bábel
Ainda posso ver, monge traidor, você com sua batina lilás, suas mãos gorduchas, a alma terna e implacável como a dos gatos. Posso ver a chaga do seu Deus a destilar sêmen, o fragrante veneno embriagador de virgens. (...)"
terça-feira, 2 de junho de 2009
.....ecos do quinto andar do céu....
domingo, 17 de maio de 2009
Da série: Grandes personagens, diálogos memoráveis...
“(...)
- Realmente – continuou Bazárov – o homem é um ser extravagante. Se a gente observar de longe a vida do campo, a dos “pais”, parece que nada pode haver de melhor. Coma, beba e saiba que o seu modo de viver é o mais regular, o mais justo e o mais racional que existe. O tédio, porém, domina a gente. Queremos ocupar-nos dos homens, ofendê-los até, mas ocuparmo-nos deles.
- Seria necessário organizar a vida de modo que cada instante tivesse uma certa significação – proferiu pensativo Arcádio.
- Concordo! O que significa alguma coisa, ainda que seja um engano, é agradável. Com o que nada significa podemos ainda concordar... O mal consiste nessas mil e uma coisas sem valor algum, indignas de qualquer atenção e incômodos...
(...)
- Onde está a verdade?
- Onde? Respondo-lhe com um eco: onde?
(...)
- Deposita muita confiança em si mesmo? Julga-se superior?
Bazárov, após um breve silêncio, respondeu:
- Quando encontrar um homem que seja igual ou superior a mim, mudarei de opinião a meu respeito. Odiar! Você, por exemplo, ao passar hoje perto da casa do nosso feitor Filipe, disse: que casinha simples, limpa e confortável. Disse mais: que a Rússia será o melhor país do mundo quando o mais pobre mujique tiver um lar como esse, e que cada um de nós deve auxiliar essa conquista... Comecei a odiar aquele mujique, Filipe ou Isidoro, para quem devo fazer o possível e que não me dirá sequer obrigado. Que necessidade tenho eu afinal do seu agradecimento? Viverá bem numa casa limpa e branca e eu andarei sujo. E depois?
- Basta, Eugênio... Ouvi-lo hoje é concordar contra a vontade com aqueles que nos acusam de falta de princípios.
- Repete as palavras do seu tio. Princípios não existem. (...) Há apenas sensações. (...). Sou, por exemplo, negativista por força da sensação. É-me agradável negar. Todo o meu eu sente o prazer de negar e basta! Por que gosto de química? Por que gosto de maças? É a sensação que isso determina. Tudo é unilateral. (...)
(...)
- Eugênio! – disse tristemente Arcádio...
- Não gostou? – interrompeu Bazárov. – (...) Entretanto, basta de filosofia. “A natureza embala-nos o sono”, disse o poeta Púchkin.
- O nosso grande poeta nunca escreveu coisa semelhante – disse Arcádio.
- Se não escreveu, você, como poeta, pode aproveitar esse tema. A propósito, Púchkin deve ter sido militar.
- Puchkin nunca foi militar!
- É impossível! Todos os seus versos começam assim: “Avante, Avante! A nossa terra clama!”
- Está inventando absurdos! É uma calúnia!
- Calúnia? Que importância! Como se a calúnia impressionasse alguém! (...)
(...)
- Veja – disse de repente Arcádio -, uma folha seca de árvore caiu sobre o solo. Seus movimentos são muito parecidos com o vôo de uma borboleta. Não acha esquisito? Um objeto morto e triste é tão parecido com um ser alegre e vivo!
- Amigo Arcádio Nicolaievitch! – Exclamou Bazárov. – Peço-lhe encarecidamente que não me diga frases bonitas.
- Falo como sei... Isto está me parecendo afinal despotismo. Pensei uma coisa e por que não hei de expressar meu pensamento?
- Muito bem. E por que não poderei expressar também o meu? Acho, por exemplo, que dizer frases e palavras bonitas é feio.
- Que é bonito? Dizer termos de calão?
- Já estou vendo que segue ou tem intenção de seguir as pegadas do titio. Aquele idiota ficaria muito satisfeito se ouvisse suas palavras!
- Como qualificou Paviel Pietrovitch?
- Chamei-lhe como merece: um idiota.
- Não posso tolerar mais – exclamou Arcádio.
- Ah, sim? É a voz do sangue... – disse calmamente Bazárov. – Já notei muitas vezes que o parentesco costuma ser inabalável nos homens. O homem é capaz de abandonar tudo, todos os preconceitos. Mas reconhecer que, por exemplo, seu irmão é um ladrão está acima de suas forças! É natural: meu irmão, meu... é possível?
(...)
- Basta, por favor, Eugênio. Acabaremos brigando.
- Arcádio, faça-me o favor: vamos brigar pelo menos uma vez na vida, brigar de verdade até a morte.
- E assim, naturalmente, acabaremos...
- Brigados para toda vida? - exclamou Bazárov. – E por que não? Aqui nesta cama feita de relva, neste lugar próprio para idílios, longe do mundo e dos olhares dos homens, uma briga faz bem. (...)”
domingo, 10 de maio de 2009
Uma nota iconoclasta sobre o mito Grigori Iefimovitch Rasputin
Rasputin era só um produto aberrativo de uma sociedade que vivia de forma muito intensa, austera e, nesse sentido, por vezes equivocada, a religião que lhe dava contornos. O que esperar de um povo que “devia” acreditar que o Czar, por exemplo, aquele mesmo Czar que punha vinagre em suas feridas, era um enviado de Deus? Não. Rasputin não era louco, não era mau, mago, charlatão, ocultista, satanista, vidente ou bobo da corte. Era só um mujique siberiano simples, forte, viril, provavelmente encantador em sua simplicidade e inteligência persuasiva e despudorada, que usava o instrumento ideológico que tinha nas mãos (o cristianismo), no qual depositava uma fé autêntica, a seu bel prazer. E prazer, até onde eu sei, sempre foi sinônimo de pecado. Eis o maior deles: a luxúria. Já era, inclusive, um camponês (e, portanto, um “proletário”) que havia astuciosamente alçado ao grau mais alto do poder ao se tornar o principal conselheiro de Nicolau II – tendo sido assassinado apenas em função disso. Ou seja, um proletário (porque não?) a tomar o poder antes de 1917. Um feito, sem dúvida. Yussupov, um principezinho com cara de bunda, não aceitava que esse “czar acima do czar”, que mandava e desmandava no destino da família imperial, era pacifista e ainda por cima comia a mulherada, fosse um camponês e, portanto, pertencesse a uma classe inferior. Então, envenenou-o e matou-o em um episódio dos mais grotescos, já que o cianureto que havia nos bombons e no vinho não fez qualquer efeito no corpo do stariets e uma bala só não o derrubou. Depois, o dandy do Yussupov ganhou fama em cima disso."Se quiseres, meu caro, te nomearei ministro. Por
que ris? Por acaso pensa que eu não posso fazer o que digo? Oh, eu posso tudo, eu faço tudo aquilo que quero. Todos me obedecem. Vais ver: farei de ti um
ministro".Eu acredito que...
No mais, vamos combinar: não devia ser mesmo difícil engabelar aquele bando de almofadinhas. Quanto ao trágico fim dos Romanov ou de qualquer ser humano, eu sigo acreditando que não há revolução alguma ou sistema “científico” que justifique o assassinato de crianças. Muito longe de ser o ideal...
A ortodoxia criou outras aberrações nesse sentido, como o Conde Liev Tolstói, que também tinha lá sua vertente rasputinesca que a razão extravagante não o deixava liberar. Fundou a corrente filosófica chamada de tolstoismo – através da qual foi auto-proclamado um apóstolo de Cristo. Gogol foi outro que pirou ao fim da vida por causa dos desígnios divinos ortodoxos e acabou cometendo suicídio. Aqui no Brasil já teve muito maluco desse tipo também, só que, apesar de terem tentado, nunca chegaram ao poder. Ou não. Não sei. Por incrível que pareça, dos grandes escritores russos do séc. XIX (o que é mais a minha área), só salvava o Dostoiévski. Esse, do início ao fim, a despeito de tudo que passou (epilepsia, 10 anos de prisão, fuzilamento encenado e o escambal), e seus romances estão aí para comprovar, sempre foi um sujeito são e equilibrado. Um gênio incomparável e inspirador.
Enfim, Rasputin era gente boa.
Para ler:
sábado, 9 de maio de 2009
Humilhados e Ofendidos (Униженные и оскорбленные)
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Revista Barcelona adverte: "Morrerão todos!" Ótimo!!! Não temos mais com que nos preocupar!...

http://www.revistabarcelona.com.ar/
PS: vai zoando...
domingo, 3 de maio de 2009
E viva Boal!!! Viva, viva, viva!!!
Há mais ou menos dois anos atrás tive um encontro muito lindo com o Augusto Boal numa série de palestras sobre a Teatralidade do Humano que ocorreram no Espaço Oi Futuro no Rio de Janeiro. Segue o link para a matéria que escrevi na ocasião:
http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=5313&tipo=&BOAL+E+A+TEATRALIDADE
sexta-feira, 1 de maio de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
CL
Dando voltas indecisas e imprecisas pelas ramificações do bocejo, desmaio. Canto. Avento um sol. Sustento um mi. Mi leva, mi perturba, mi come. Voe por cima da pianola e tome o lugar do acorde – que, há muito, já é seu.
domingo, 19 de abril de 2009
Dependência química e sindrome do pânico na Rússia do século XIX...
A pós-hiper-modernidade reclama para si a invenção de alguns dos muitos transtornos mentais que assolam principalmente a população urbana e, nesse sentido, a correria frenética pelas drogas (ou fármacos) que esse ambiente "opressivo" demanda ao ser humano, como calmantes tarja preta ou anti-depressivos. Uma leitura mais detida de alguns romances russos do século XIX, entretanto, especialmente os dos chamados escritores realistas, como Tolstói ou Dostoiévski, nos mostram que na São Petersburgo gogoliana, cheia de narizes, capotes espectrais e homens-coisa, utilizar medicamentos "controlados" para insônia e depressão ou ter ataques de pânico eram coisas relativamente comuns. Dostoiévski, que já sofria de epilepsia, denominava suas crises de ansiedade de "Terror Místico", tendo relegado a muitos de seus personagens essa condição. Já Tolstói, que mantinha uma relação doentia com a esposa paranóica na vida real, fez da louca Anna Karenina uma junkie viciada em morfina - pobrezinha, prestes a se atirar sobre os trilhos do trem, ela não conseguia pregar o olho sem algumas doses de seu frasco semi-suicida.
Dostoiévski descreve um ataque de "terror místico", ou do que hoje chamamos de "síndrome do pânico" no romance "Humilhados e Ofendidos", de meados do séc. XIX:
"(...) eu ia caindo pouco a pouco nessa disposição especial de espírito em que me encontro tão frequentemente à noite desde que estou doente - disposição que eu chamarei de "terror místico". É o dolorosíssimo receio de qualquer coisa que eu não saberia precisar, de algo fantástico e irreal, que não existe na ordem das coisas, mas que parece surgir diante de mim e ganhar corpo num instante, com a irrefutabilidade de um fato terminante, horrível, informe, implacável. Esse pânico vai crescendo sempre, apesar de todos os meus apelos à serenidade e à razão, de sorte que, no fim, embora meu espírito tenha atingido um grau maior de lucidez, perde toda a faculdade de se opor a essa sensação (...)".
Tolstói não dá trégua para a doce e linda Anna - e coloca sobre sua mesinha de cabeceira um remedinho à base de um opiáceo que ameniza (ou potencializa, vai saber...) sua fúria nervosa:
"(...) Entretanto Anna, de regresso ao seu quarto de toucador, pegou num copo em que deitou umas gotas de medicamento cujo principal ingrediente era a morfina. Depois de beber esse líquido, permaneceu imóvel durante algum tempo e dirigiu-se ao quarto com o espírito tranquilo e alegre (...)".
Greta Chapada :-)
sábado, 28 de março de 2009
F. Dostoiévski
sexta-feira, 20 de março de 2009
(ou tentando perturbar o trânsito palco-platéia)
Paty "quase punk" paulistana, hiperbólica, sexy e completamente louca, com direito a piercing no mamilo e o escambal, está à venda (para mimeses) neste blog!!!
Nome: Laís
Quem diria! Eis um sinal dos tempos que entreabrem-se à "seringueira": a mulher pós-moderna, independente e bêbada, já pode pagar o silicone, a manutenção da coisa e, de quebra, firmar a marquinha - o que é tão importante quanto.
Quotes (porque quando uma mulher tem algo a dizer, ela merece um post só para ela):
PS-3: A Laís é um mega exemplo daquilo que nossa sociedade oferece como modelo, formando um exército de plágios e cópias da barbie, e uma menina entra tantas (muito inteligente, por sinal!) transforma em autenticidade pura!...
* maconheiro marxista
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Da série: "Quotes"
"Eu sou o rock'n'roll!" - Thomas Morkos, sempre. E o pior é que ele é mesmo. :-)
"Intelectual de cú é rola!" - Daniel Esteves, em algum dia de 2009.
"Em 2009, tudo o que conhecemos mudará" - Daniel Ribas, em janeiro de 2009.
"Ah um gole!" - Felipe Filósofo, sempre. Sensacionallll.
"É preciso encontrar beleza na rotina" - Erico Cornetta, em algum dia de 2008.
"Eu adoro as luzes de neon!.." - Ricardo Cardoso, em algum dia no confessionário.
"Por isso eu tenho sempre minha cota privada de ácido sulfurico: para jogar em vacas como ela!" - Alex, qualquer dia desses, na balada.
"Life is short!" - Alexandre "Yuppie" Gomorra, em 2009 no restaurante da Reserva Cultural bebericando uma taça de vinho.






