sábado, 28 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
"Triste partida" do Patativa
Setembro passou
Outubro e
Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba
Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra
Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
À lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai
3 "Perolazinhas" encantadas do Junio Barreto (QQ coisa de sublime)
Colarzinho de pedra azul
Bonita de Pedra e Céu
A quem glória possa ser
PS: Se o player não funcionar, clique no link "divShare" para fazer o download da música.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Blok no Blog no Blok no Blog no Blok no Blog
sábado, 19 de setembro de 2009
Da série: A memória que chuta o cerebelo
domingo, 23 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O evangelho segundo Bulgakov
'(...) No, no, Hegemon,' the arrested man said, straining all over in his wish to convince, 'there's one with a goatskin parchment who follows me, follows me and keeps writing all the time. But once I peeked into this parchment and was horrified. I said decidedly nothing of what's written there. I implored him: "Burn your parchment, I beg you!" But he tore it out of my hands and ran away.'
'Who is that?' Pilate asked squeamishly and touched his temple with his hand.
'Matthew Levi', the prisoner explained willingly.
'He used to be a tax collector, and I first met him on the road in Bethphage, where a fig grove juts out at an angle, and I got to talking with him. He treated me hostilely at first and even insulted me - that is, thought he insulted me -by calling me a dog.' Here the prisoner smiled. 'I personally see nothing bad about this animal, that I should be offended by this word...'
The secretary stopped writing and stealthily cast a surprised glance, not at the arrested man, but at the procurator.
'... However, after listening to me, he began to soften,' Yeshua went on, 'finally threw the money down in the road and said he would go journeying with me...'
Pilate grinned with one cheek, baring yellow teeth, and said, turning his whole body towards the secretary:
'Oh, city of Yershalaim! What does one not hear in it! A tax collector, do you hear, threw money down in the road!'
Not knowing how to reply to that, the secretary found it necessary to repeat Pilate's smile.
'He said that henceforth money had become hateful to him,' Yeshua explained Matthew Levi's strange action and added: 'And since then he has been my companion. (...)'
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Em Lilia 4-ever, Lukas Moodysson atenta para a urgente necessidade de amor ao próximo***
Para ver, rever e agir. E nem precisamos ir tão longe.

***in micro-resenhas de filmes que não passam.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O bandoneon, parente da sanfona, segundo o mestre
Depois, a óbvia e inesquecível pupila sonora do tango: Barbieri, Brando e Bertolucci... Só Bês. Quem não ama esse filme? E, cada "B" a seu modo, é a ele totalmente imprescindível.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Showzinhos hoje pelo mundo - João Gentil e Bárbara Eugênia
Bom, se estiver por aqui já sabe. Mas... se estiver em solos lusitanos:
Data: terça, 4 de agosto de 2009
Hora: 22:00 - 23:00
Local: Cafe Santa Cruz - COIMBRA
Saiba mais sobre ele: http://www.joaogentil.com/
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Déruchette - in Os trabalhadores do mar (Victor Hugo)
A meiga e familiar criatura acomoda-se em casa, de ramo em ramo, isto é, de quarto em quarto, entra, sai, acerca-se, afasta-se, alisa as penas, ou penteia os cabelos, faz toda espécie de rumores delicados, murmura um não sei quê de inefável aos teus ouvidos. Quando ela interroga, responde-se-lhe; interrogada, gorjeia. Tagarela-se com ela. A tagarelice serve para descansar de falar. Há uma porção celeste nessa menina. É um pensamento azul misturado ao seu pensamento negro. Alegras-te por vê-la tão esquiva, tão ligeira, tão fugitiva; agradeces-lhe a bondade de não ser invisível, ela, que poderia, creio eu, ser impalpável.
Neste mundo o lindo é o necessário. Há mui poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transudação de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a graça, é favorecer-te. À beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; às vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se pára, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana; não faz nada, nada que não seja estar presente, e é quanto basta para edenizar o lar doméstico, de todos os poros sai-lhe um paraíso; é um êxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao pé deles. Tem um sorriso que - ninguém sabe a razão - diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? é divino. Déruchette tinha esse sorriso. Mais ainda, era o próprio sorriso. Há alguma coisa mais parecida que o nosso rosto, é a nossa fisionomia; e outra mais parecida que a nossa fisionomia, é o nosso sorriso. Déruchette, risonha, era Déruchette. (...)"
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Nostálgica diz: - Li hoje no jornal que o Trent Reznor saiu do Twitter...
- O que é Twitter?...
- Ah... é um troço tipo o facebook... não sei... esqueci minha senha e não entro mais... Mas é uma espécie de rede social junkie onde as pessoas quando não dizem amenidades, dizem banalidades. E acho que o Trent ficou fulo com isso...
- Nossa... O Trent tinha Twitter?
- Tinha...
- Quelle merde...
- Oui... Lembro-me daquela época em que ele teria um harem se quisesse...
- Ptz... a mulherada dava fácil... O cara era o cara... Vermebile em forma de músico. Mas... Twitter?...
- Esquenta não... Você nem sabe o que é Twitter... Vamos ouvir aquela coisa de "I wanna fuck you like an animal..."...
- Sinistro...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Anastassia Bytsenko, correspondente especial deste blog na Rússia, dá sinal de vida e nos envia imagens do parque Peterhoff, em São Petersburgo...

quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cia Tàbola Rassa
Para quem vai dar uma viajada, vale à pena conferir o calendário do site: http://www.tabolarassa.com/
sábado, 11 de julho de 2009
Pasajero
Sobre o documentário
Fonte: http://www.pasajero.info/
"Pasajero: un viaje por el tiempo y la memoria, documental de una hora de duración, es una auténtica y revitalizadora historia que sigue a un grupo de músicos urbanos mexico-americanos a México, donde buscan un significado más profundo de sus tradiciones. Ellos acompañan a su maestro, un viejo violinista, a su regreso a su pueblo en Jalisco. El grupo realiza una gira musical, presentando un estilo de mariachi pre-comercial que ha sido olvidado hace mucho tiempo, a través de México y el Valle Central de California donde encuentran a personajes fascinantes que representan el espíritu del viejo México. Pasajero es un recordatorio, desde el corazón, del papel vital que juega la música en la definición de nuestras identidades.Pasajero: un viaje por el tiempo y la memoria, es el primer documental de una serie de cuatro, del proyecto "Culturas de México en California", patrocinado por The James Irvine Foundation. Pasajero tambien ha recibido apoyo de Cultural Contact, the Walter & Elise Haas Fund, the California Arts Council and the Lef Foundation."
Belo trecho!...
Com direção de Ricardo Braojos e e Eugene Rodriguez, Pasajero foi lançado oficialmente em 2004.












