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domingo, 15 de novembro de 2009

Quando o Tolsta veio me visitar!!! (4) - O sagrado

O vento vai, vem, vai-e-vem, Nievá, perverte o ar, volteia, tartamudeia, pousa, bóra, cantarola, refaz-se uno, corre, apalpa o pomar, até pensar como um ser (não é Hermes), pois se é Deus, é (tri)vivo, é pulmonar - embriaga-se de caules, réstias de (fran)galhos, ao encalço do outono sem jamais lhe ter. Tonteia o sentido do "à", á margem, á luta, avante!, leiloa a língua benta,
ecoa
lufa,
arfa,
pulsa,
baba,
coroa,
aventa
rebenta areia fina na película cristal, mastiga, regurgita e, pontiagudo, entrelinha estupor e sal - calmo, contudo, acomoda-se à meia-luz, até que se avizinha a tarde e, afinal, na fímbria do horizonte, sangra ao pé do sol. Genuflexão: hora da missa. Santíssimo sacramento. A luz vermelha sinaliza: é Ele. Tolsta não se submete ao que não acredita, mas entra,encosta-se ao invés de se sentar, tensiona os músculos para entender, desentende, não relaxa, não se atreve, distende a razão e se perde. A enormidade da Catedral da Sé não lhe contagia os ânimos. A contigüidade do que ocorre pelo seu avesso, na praça, é que lhe espeta o cérebro. As gentes de todo o Brasil, atamancada, disputando palavreado, sentido, espaço pra dizer que está tudo de revés, que está tudo absolutamente movediço. O conde se amiúda e, pé-ante-pé, aproxima-se de um юродивый (Iorodivi), espécie que na Rússia parte em busca de Deus, só, produzindo instantâneos orais, santos, migalhas de arte, arrebanhando fiéis, parasitas, sendo, ao pé, um mendigo alienado, tonto, vidente. Aquele ali, entretanto, lhe parece falso, pois quando com ele quer dialogar, não é ouvido, a despeito de febrilmente respondido. O sujeito só tem olhos para si e sua Bíblia, a cujos significantes imputa qualquer significado, pautado em interesses que Tolsta não reconhece como os seus. O conde só vê sentido no desinteresse - e prenhe de amor.

- Precisaríamos de uma ambição embolada de ponta-cabeça – nada que nos fizesse retroceder, mas que nos obrigasse a ceder ao tédio de não querer tudo para si, em silêncio galhofeiro, mallllllllll, como quem agradece simples e naturalmente por estar vivo, por não ter caído hoje do precipício. Difícil isso. Lembro-me daquela moça que, ilhada, discutia comigo. Punha, à guisa da revista Veja, muito popular no Brasil, todos os adeptos de regimes ditos totalitários no mesmo saco (Che, Prestes, Fidel, Hitler e Stalin, tanto faz) – e depois suplicava por qualquer bem genuíno que se desdobrava no afamado "individualismo neoliberal", essa lei do pós-guerra que nos atola no supermarket punk. E - concatenei tentando seguir o raciocínio dela - o individualismo desses homens no saco, ora bolas? Por que hão de ser todos iguais? Pensar é difícil, pensar demora, pensar, não raro, é abdicar de qualquer opinião, é, no bilhar, não encaçapar nenhuma bola. É dom, é perda, é humilhação - desapego e comunhão. Dizem que a fé é dom de Deus. Dios. Dieu. God. Бог.

- A razão também – bombardeia o conde. O resto é reprodução. Arte, guria, é criação.

Lembrei de Nietzsche, que disse: “pensar é criar”. Enfim, outro péla-saco-mor pro panteão olimpiano do intelecto. Tolsta não me ouve mais. Tolsta não me ouve nunca, aliás. Conversa com Johannes, o sem-teto alemão – agora sim, um legítimo юродивый.

Encontro histórico: Os юродивый Tolsta e Johannes deixaram-se fotografar em plena Praça da Sé - marco zero de Sampa City. O calor de novembro não os impediu de vestir seus capotes, botas, bigodes e parangolés, o que corrobora minha tese de que ambos estão completamente alheios ao que se passa no mundo. Devem achar que estão na Rússia! Hahaha! Ou pior: em Iasnaia Poliana! Hahaha! Imagina!!! Loucos de pedra!... Detalhe: a foto foi envelhecida no photoshop - essa parte eu não pesquei.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Naquele dia, já era noite

Naquele dia, já era noite. Ela vinha tropeçando em cacos de pensamento: refugos de uma longa refrega. Bifurcou coisitudes que, ademais, não lhe serviriam de droga nenhuma. Algumas delas tomaram o rumo do texto ao lado, que emergia em paralelo, reclamando autoria distinta e escrito por um ghostwriter legítimo, desses que pululam aos montes em SP. Adentrou o apartamento com a sua cota de sandices, devidamente cotejada com o original em russo, sem nem suspeitar que já estivesse grávida há 20 dias, que um bisneto da Cândida nasceria dentro em pouco, que a toalha estava molhada sobre a cama – despencou do oitavo andar de suas idéias direto para o colchão. Sentiu estalar duas lágrimas uma noutra na escuridão da pálpebra fechada. Pálido cansaço de não ir a lugar nenhum, de desejar além do seu o querer alheio, “todos juntos e de mãos dadas, atadas”, o querer alheio pleno de dignidade e compostura: bondade. Pessoas perdem tudo que têm de “pessoa” por causa de míseros R$ 100. Que verdade limítrofe em torno da qual sofrer e chutar toda e qualquer esperança no que quer que seja o ser. Não há escolha. Hamlet, para ela, soou como um risível desvario nefelibata.

Tristes trópicos – agora em outra pegada. Como diz a Zazie: “Meu cú” – o que, apesar de lacônico, significa: meu cú é bem mais limpo do que essa imundície toda.

Continua aqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O twitter e a legitimidade do ser via publicização virtual

Foi-se o tempo em que apenas os fatos jornalísticos precisavam ser publicados para "ocorrerem" ou para terem qualquer (des)importância. Chegamos à era virtual e, nesta arena 3x4, o indivíduo, para existir, precisa estar conectado, precisa ter o aval dos outros, precisa ter um séquito que o siga para onde ele for, precisa ser visto, precisa dizer gracinhas e provocar risos. Como se não bastasse, cada ato isolado do indivíduo, seja uma flatulência seja uma descoberta arqueológica, para ter qualquer legitimidade, para virar história e memória nesse cubículo amplo, implica um post no twitter, no facebook, no orkut ou, enfim, nessas tranqueiras. Se o mundo, para você, são aplausos virtuais ecoantes, comentários e curtição em fotos, algumas palavrinhas bicudas nas entrelinhas, lembre-se que, se for viajar, deve levar a câmera - ou então, para o resto da humanidade você não foi a lugar nenhum. O que importa, afinal, é a visibilidade que tens. Eis o quão sem graça se tornou o espaço público.

Show de Truman? Balela!... Hoje todo mundo tem seu show particular e ele começa com @.
Da mesma forma, você não precisa entrar em um buraco negro para ser John Malkovich - entre no twitter e seja quem você quiser.

A legitimidade do ser, hoje, passa pela publicização do ser na internet. Chegaremos a um ponto em que cada pessoa terá uma câmera acoplada a seus olhos filmando a própria vida full-time. Vamos editar e postar esse filmete no fim do dia no twitter-eye - ou, melhor, ele será transmitido ao vivo, já que sem esse olho não "seremos mais nada". Nada? De súbito, isso soa atraente. Nem Habermas, ao dissertar sobre o espaço público inerentemente burguês, nem Orwell, na obra-prima 1984, nem ninguém, ora pois, poderia imaginar tamanha tragédia. Acho que o Andy, aliás, foi o único que acertou na mosca - também, era pop.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mus(ic)a acorrentada

Fala sério. Nada mais tosco do que lista de música. Sim, essas listas das maiores ou melhores ou mais pops ou mais grudentas (seja o que for!) canções dos últimos sei lá quantos anos. É engraçado que as pessoas insistam em concretizar, objetivar, impregnar de estatísticas, calhas, algo tão melífluo e subjetivo – impondo seu maldito ponto de vista sobre o que está a perder de qualquer vista. Ou mais: encontrar critérios que justifiquem tal coisa. Acho que ninguém leva isso a sério. O Patrick Bateman escrevia resenhas de álbuns dos anos 80 – todas ininteligíveis e mega-adjetivadas, claro, zombando dessa síndrome de Tolstói de desejarmos colocar tudo que nos cabe nos limites da cumbuca da razão. Dia desses, entretanto, andei dando uma olhadinha lá na tal lista da RS de 100 maiores (o que é isso???) da MPB. Se for pelo tamanho, acho que a “maior” é aquela da Legião Urbana, Faroeste Cabloco, que tinha pra lá de 20 minutos e todo mundo cantava. Mas não. Curioso: o “pau” que se paga para o Chico Buarque é algo que precisaria ser estudado à luz da psicanálise. Deve ser porque ele é escritor e tem uma postura cool - praticamente a antítese da do Caetano, que todo mundo diz que odeia. E o Caymmi, tadinho, quase que foi esquecido. O resto eu não me lembro - muito loko! Eis a pergunta que não quer calar: será que é de música mesmo que essas listas falam? Ou, na falta de assunto, a galera se reúne na redação e diz: “Meô, vamos fazer uma lista! Vamos deixar geral fulo da vida! Vamos polemizar, música é o caralho! Uhuuuuu!” Rir é a melhor saída – e claro, dar uma olhadinha na lista, assim, de soslaio.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dafne disse:

Abre aspas -

Gosto de oferecer tudo que amo aos meus amigos. Gosto de oferecer os homens que amo às minhas amigas. Ando apaixonada por essa coisa de estar apaixonada – o que, na verdade, dizem, não é bom. Tô nem aí – tô apaixonada e sei de cor todo caminho de ida e de volta de tanto que já me embrenhei por esse mato sem cachorro, sem ida, sem volta, sem caminho...

Fecha aspas.

sábado, 3 de outubro de 2009

Quando o Tolsta veio me visitar!!! (2)

(Tolsta indo passear no Ibira pela manhã. Péla.)

Quem é o Tolsta? Gaúcho, mujique, apóstolo de cristo, retirante nordestino, anarquista, tarado, sadhu indiano, tuareg, profeta, monge ou, como todos os russos, um louco? Hmmmmm... Ah, já ia me esquecendo: escritor também é uma opção dentre tantas.

hhhh
Moramos no 12º andar, eu e Tolsta, no centro da cidade. São “Inferno de Dante” Paulo. Ele odeia pavorosamente essa turbina de concreto-vândalo que apita sem ressalvas o dia inteiro e quer ir para o campo – ou para qualquer destino feudal onde possa caminhar algumas verstas sobre um extenso e bucólico gramado. Eu, impaciente com sua lista interminável de reclamações, aconselho-o a ir dar um passeio no Ibira, na Aclimação ou no Parque Villa Lobos e não me atazanar o saco com esse papo Ctrl-C Ctrl-V de Rousseau. Poupe-me, bom selvagem.
- Second Life, Tolsta... – repreendo-o.
Mas ele ignora. Não entendeu ainda como nós, humanos do século XXI, podemos ter algo tal qual uma vida virtual.
- Não podemos, não podemos. É pura fantasia. Contextualize, poxa. É como na Bíblia. Ou você acredita em Adão e Eva?
- Niet – ele solta.
Tolstói é algo descrente. Não acredita em nada que, de relance e num vasto prado, não possa fitar, tocar, curar, abastecer com seu viço aristocrático dissimulado e bronco. De retidão apaixonada, queria ser padre, mas me pergunta, sem pestanejar, onde é o lupanar. “Não sei... mesmo” – respondo encabulada. Ele desconversa, diz que só queria saber se há algo do tipo nas redondezas e, quando eu digo que a cidade inteira é um grande bordel, um “Gogol Bordello”, um “American Bar”, que muita gente nem cobra pelo pernoite, ele murmura entredentes: “Diabólico, diabólico. Preciso andar mais por aí”. E fico matutando o que seria dele se fosse ao Love Story vestido daquele jeito e com os sobrolhos a meio. (Des)penso o impensável.
- Para que serve a razão? – ele me indaga de soslaio.

“O universo nada delicado da libido”, persuade-me Tolsta, “é bulímico e anoréxico – é um veleiro sob tormenta, é catastrófico, truculento e trágico, uma foda-relâmpago que tudo parece iluminar e subverter com seu gorjeio para, em seguida, apagar-se”.
Não refreio meu ímpeto de mulherzinha, já violentada por essa corja de canalhas, no bojo de Lilia 4-ever, no âmago de Grace, enfeixada por Suely, e metralho:
- A cabeça de baixo venceu Tolsta. Seus apelos à castidade e ao uso da razão não adiantaram muito. É sob a égide do pau, do falo, do pênis, do cacete, do alfarrábio masculino, que vivemos. E o mundo é uma rede de cabeças acéfalas interligadas de forma cruel. E, claro, um retardado querendo ejacular mais do que o outro. Poucas pessoas fogem a essa regra desumana. É tudo porra. É tudo porra...
Tolsta, entretanto, acredita que eu tenha descrito um procedimento científico e, fulo da vida, retalha:
- Oh, eu odeio médicos. Não me venha com essa conversa mole, guria.
Não entendo que tipo de parentesco o Tolsta tem com os gaúchos. Vira e meche ele solta uma bá, um guria, adora um chimarron, diz que lembra o chá feito no samovar. Enfim, isso me intriga sobremaneira.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um problema da condição humana ou uma porra de um adolescente retardado de 17 anos

Não sou sexista. Longe disso. Odeio quando alguém começa a dizer: "não, por que os homens são assim e as mulheres são assado". Geralmente é furada. Mas, nos últimos tempos - e tenho relutado em escrever isso - percebi um fenômeno diante do qual não dá pra fazer vista grossa: as mulheres evoluem. Passam da infância à adolescência e, assim, à fase adulta. Sim, as mulheres (pelo menos a maioria) tornam-se adultas. Os homens, entretanto, jamais passam à fase adulta*. Seja ele quem for, tenha ele a idade que tiver, será sempre e no âmago inviolável de seu ser, mesmo que não pareça à primeira vista, mesmo que lute por causas nobres e esbanje sabedoria teórica, mesmo que se julgue muito "maduro", uma porra de um adolescente retardado de 17 anos. É incrível. Temos que lidar com esse "problema", eu diria, característico da condição humana. Eu, particularmente, não vejo saída e não estou mesmo a fim de ficar especulando as pseudo-causas da tal desordem. Não suporto Freud. Alguns problemas são mesmo insolúveis. Por que é tão difícil às pessoas aceitar o mistério? Um adolescente retardado de 17 anos sobrevive no macho e para isso, infelizmente, não há qualquer explicação e nem tampouco cura. Seria algo similar, guardadas as devidas proporções, à TPM feminina. Fiquemos assim.

Clique na imagem:

*Salvo raríssimas e peroladas exceções.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

@algumacoisa

@nostalgica: Hmmmmm... então quer dizer que todos nós agora temos o mesmo primeiro nome: @!
@antenada: Oui...
@nostalgica: Yeah! Viva a liberdade de escolha do sempre igual!... Viva o meio, viva a mensagem, a demo-cracia, avante twitter - Conqueeeeesssssssssst!
@antenada: aff, que drama meô... Ser arrobada por detrás é mó legal... vc gosta de ser do contra meô...
Nostálgica: É... gosto... Bom, vou pra praia tomar uma cerva e ouvir um som... Inté...
@antenada: O quê? O quê? O quê? Ixiiiii... Acho que ela caiu...

domingo, 26 de julho de 2009

Ele reproduzia, sem o saber, todos os males que acreditava odiar...

O único mal da sociedade capitalista, essa que fingimos odiar, porque é legal gostar de Marx e Che Guevara, é transformar o ser humano em coisa. Todas as relações grotescas que essa sociedade que fingimos odiar produz e, com a ajuda de todos os seus membros, reproduz ad infinitum, culminam na porca da desumanização.

Então lembrei daquela história. A do sujeito, a do homem, ouso dizer, que foi, a princípio, muito gentil com Mariana por que queria usá-la como remédio para curar algumas feridas adquiridas no hiato da solidão. Como lá pelas tantas, a coisa, a Mariana, não serviu a contento, ele, claro, a jogou no lixo, como cartela vazia que era. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana não era uma coisa, Mariana era um ser humano. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana era, sim, tão ser humano quanto ele. Só que ele não sabia, pobrezinho: que, ao tratar as pessoas como coisas, ao tratar Mariana como coisa, ele reproduzia toda a dinâmica social (capitalista, cretina, individualista, desumana) que julgava odiar e lutar na direção contrária. Eram nesses “pequeninos” gestos, mais do que em qualquer outro tipo de ação – Mariana pensava depois, sentindo-se infeliz por acreditar no homem – que o homem, ouso dizer, abastece toda a engrenagem que finge odiar, transformando pessoas em coisas consumíveis ao inserí-las na lógica do capital. Afinal de contas, nessa sociedade que amamos odiar, tudo é (não é?) produto, coisa, consumo, superfície, função, troca, lixo – a começar (e a acabar) nas relações humanas. Só que ele não sabia, pobrezinho, tão preocupado que estava com o próprio umbigo, de nada disso.

Ocupe e resista Mariana. Continue acreditando no ser humano. Eu também acredito...

terça-feira, 21 de julho de 2009

Os hormônios e o século XXI

Apesar de ser um péssimo poeta, Cazuza tinha razão quando dizia que, a despeito da rima, burguesia e poesia não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Em pleno século XXI a sociedade continua dividida em castas, sendo a pior delas, como diz Lukács, a pequena-burguesia, em relação a qual qualquer forma de arte mais elevada é totalmente incompatível. “Enquanto houver burguesia não vai haver poesia”. Em pleno século XXI as pessoas se recusam a se levantar de seus troninhos – onde defecam, dormem, constroem cercas e o diabo – and life goes on. Jean Cocteau profetizou: "a vida é uma queda horizontal" - não por que vamos morrer algum dia, mas por que conseguimos seguir nossas vidinhazinhas em meio ao genocídio alheio, que nos avizinha, sem estar nem aí. Em pleno século XXI vivemos uma peste atrás da outra, sendo a moléstia da vez a tal da porcina, contra a qual não há – não adianta, hermanos – não há prevenção. Em pleno século XXI a sociedade, além de patriarcal, hostil e machista até o útero, continua dividida, na prática, entre aqueles que acreditam em Deus e aqueles que não, sendo que estes não fazem a mínima idéia do que seja esse Tal ente, e aqueles que acreditam, em sua maioria, também não. Em pleno século XXI, os povos primitivos já mostraram ter mais domínio sobre qualquer tecnologia do que o homem civilizado, mesmo assim as últimas aldeias indígenas do Brasil se esvaem como água pelo ralo. Em pleno século XXI vivemos, sim, a barbárie. Em pleno século XXI, não há século XXI – e a mulher, mais particularmente “eu”, sofre de TPM e se põe a reclamar sensibilizada, visto que não há, veja você, te enganaram, século XXI algum. Tudo invenção, estamos na Idade Média. Em pleno século XXI eu abro a janela do apartamento em que moro em São Paulo (essa cidade, esteticamente falando, horrenda) e o que eu vejo é aquela afamada cena de “O sétimo selo” do Bergman: uma montanha e silhuetas próximas ao crepúsculo, em fila, seguindo um líder sem saber para onde ou para quê, à deriva e desnorteadas. Como diz meu sobrinho de quatro anos: “ai, ai, ai...” Um anjinho.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Esta casa

"Esta casa cheia de luminárias, que amarela o olhar só de focalizar os corpos e os relevos, fingindo ser um imenso astro da manhã, não é minha. Essa casa pertence a alguns de meus amigos. Possui uma bela janela que conduz a uma ainda mais exuberante paisagem do dia, cuja composição se faz de mares e horizontes que trafegam. Fico aqui entre o sofá e alguém que me entoa lamúrias que mal ouço, e mecanicamente respondo, não correspondendo a nada do que um dia interpretei. É sutil, mas muitos deles se assustam - e mesmo eu me assusto - quando assumo e compreendo de vez o estado de espirito que me leva em definitivo para além desse amarelo-caqui-pastel dos arredores, para o refratário campo no supra-teto no qual reside uma bússola, para um mundo de cores vivas que prefigura a ilha - agora percebo, é um ilha - que suporta a lua no mar estrelado do firmamento. É para onde devo ir.

Por vezes, sinto que deveria retornar. Que deveria retornar rumo ao que deixei em celibato e casto em renovadas noites a partir dessa, andando de frente para trás, no sentido anti-horário. Daí, se hoje estou aqui onde estou, era só retroceder um pouco ou mais nesse tempo sem relógio e atingir a linha de largada, de onde jamais deveria ter saído. Lá está uma grande porção de mim, uns 55% sem cálculo, à minha espera na matina na qual me despedi à luz de uma lua rosada, sob a promessa de um dia, após ter resolvido todas essas picuinhas do pessear, do navegar e do estremecer, voltar de mãos repletas para onde o meu pensamento invariavelmente decola: à outra metade de mim.
Mas isso são bobagens.
O fato é que não sei mais, desde então, o caminho que volta.
Não saber o caminho de volta talvez seja um dos maiores problemas da minha amargurada vida. As setas nas estradas, há muito, perderam a sua imobilidade, girando insensatamente, indicando saídas multiplicadas e subtraídas por todas as direções do possível.
O impossível.
Pensava que talvez devesse tentar o caminho do impossível, a vereda periclitante do improvável, o insubstituível pavor pelo que não é mais conhecido ou catalogado: pois é a única alternativa que me restou. É por aí que devo guiar os meus passos".


Bobagens, bobagens, bobagens.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Notas paulistanas

Vou fazer 1 ano de imigração daqui a alguns meses. Não sei como os japoneses aguentaram fazer 100.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Revista Barcelona adverte: "Morrerão todos!" Ótimo!!! Não temos mais com que nos preocupar!...



http://www.revistabarcelona.com.ar/

PS: vai zoando...

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E, na contra-corrente disso tudo, Viva Tio Jorge!!! Que linda forma de partir, sem nem saber de onde veio - como descendente de escravos que era. Após uma homenagem, aos 93 anos, que linda forma de se ir. E ficar... Viva Tio Jorge!!!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Razões para odiar a tecnologia * **

"O ideal imaginário da vida que arrisca tudo se opõe ao ideal prático da segurança contra todos os riscos. O ideal do justiceiro ascético se opõe ao ideal do pai de família satisfeito, o ideal da luta se opõe ao ideal das aventuras do bem-estar, o ideal do estado natural se opõe ao ideal do conforto da técnica".

Edgar Morin

A tecnologia, essa que vos fala de inúmeras formas, é só mais um meio que algumas pessoas encontraram de “funcionar” (ou seja, exercer funções) melhor nessa sociedade de avestruzes, como elevadores ou essas coisas robóticas que simplesmente “funcionam” automatizadas, sem dar satisfação de nada a ninguém. E não são, como poderíamos pensar, operadas por seres humanos, são programadas por um bando de vigaristas, o que é muito diferente. Um relógio que é programado para tocar às seis horas da manhã, vai tocar às seis horas da manhã – e isso independe do estado como você estava quando cruzou a porta de casa às cinco. Se, por outro lado, ele é operado humanamente, você vai acordar no momento que lhe for mais conveniente. Operar sugere que haja uma mão humana toda vez que se exerce uma ação; já programar é totalmente desumano, é funcional, é potencializar a máquina. Vivemos em uma sociedade de máquinas e, de cada vez mais, pessoas programadas ( já que peças desse meio-de-produção) – e que se dane o fator humano de qualquer coisa. Adapte-se. A porta do metrô fecha em 10 segundos – e a moça que prendeu o salto no vão e vai ser levada pelo arranque do motor? Foda-se.

A sociedade industrial foi se tornando com o passar do tempo essencialmente programada, mecânica, alheia ao humano de qualquer coisa, e as pessoas, com seus brinquedinhos celulares e i-phonicos, entraram nessa onda. Por inúmeros motivos, que você não faz idéia, alguém que no tête-à-tête te trata como um anjo e com quem você jura que tem uma sintonia peculiar, programa o celular para não receber mais ligações suas – e que se foda você e os motivos do por que você está ligando para ela. Ela se programou, através da tecnologia, para não te atender, para te descartar solenemente, para esquecer que você existe, coisificando-o como uma peça que já não lhe serve – e agora, ao invés de perdemos o braço na geringonça de prensar frigideiras, perdermos parte de nossa alma em meio a essa horda de desalmados, de pessoas que temem o encontro, o humano. É paradoxal, mas a tecnologia só criou mecanismos de encontro que, em determinados contextos, só favorecem o desencontro. Contudo, esse cinismo todo nos parece muito natural, pois a timidez pequeno-burguesa a tudo redime, o comodismo de apertar um botão nos faz senhores de nosso próprio nariz ao vivenciar uma pseudo-liberdade hiper-equivocada, e perdemos, nesse rastro, a capacidade de compartilhar o que quer que seja com o próximo, de encará-lo olho no olho e sofrer as conseqüências desse ato, de dar a cara à tapa. Nos programando, nos livramos, assim, do que nos parece, pelo menos no espaço imediatista da ligeireza da máquina urbana, inútil ao caráter funcional do ser. E não somos mais, apenas funcionamos enclausurados, isolados do outro e das normalíssimas relações conturbadas e febris que com ele se trava, esquecendo que a “única” coisa que de fato existe nessa porra de mundo é isso: o outro; que a mais linda paisagem é a do rosto humano; que a arte, o trabalho, e tudo mais que fazemos, existe somente em função das pessoas – aquelas das quais fugimos propositalmente e temerosos de que percebam essa fuga ou venham nos perguntar: por quê?

Tem gente que tem medo de gente por aqui (Esse Pê) . Eu, particularmente, acho isso estranhíssimo e inusitado. Hoje muita gente não atende o celular quando vê, em função do advento da bina, que é um tal fulano que está lhe telefonando e com o qual ela não quer falar sabe-se lá porquê. Será que essa mesma pessoa expulsaria esse fulano de sua casa e bateria a porta na cara dele? Não sei. Mas bate o flip. A tecnologia transformou um bocado de pessoas (e me desculpem as que não se enquadram nessa lógica e que usam os apetrechos high tech para o bem) em hipócritas resignados. Isso me perturba bastante. Vou me mudar para Iasnaia, para uma aldeia indígena, para um lugar interiorano onde não haja bina, msn e no qual se possa confiar, verticalizar as relações. Ou ficar por aqui - ocupando e resistindo.

*Texto levemente inspirado na aula do Sérgio de Carvalho.
** Texto escrito no ápice da TPM.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Talvez
Seja completamente desimportante a pergunta "O que você gosta?" - muito vinculada, hoje, diga-se de passagem, ao pérfido "O que você consome?". O que interessa, na verdade, a despeito do valor que conferimos às coisas materiais e "humanas", é a partícula como: "Como você gosta?". Como? Na maioria das vezes, o "o quê" se situa apenas como elemento circunstancial que recebe e doa, impulsionando o movimento que varre a estrada, uma vez que a forma "como" se ama impregna a coisa amada de tudo aquilo que é próprio de si. O foco, portanto, não deve estar na mercadoria, no "ego", no objeto, no sujeito, na posse, na propriedade, seja ela quem ou o que for. It doesn't matter. A única coisa que vale é o caminho. The way. E mesmo aquilo que idolatramos se constrói pelo caminho traçado até chegar a um ponto. Por isso, somos e amamos o caminho. O que há em cada extremo é irrelevante. Ou, quem sabe até, seja pura ilusão de ótica.

domingo, 5 de abril de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

Sobre a paixão: um arrombo ou um arroubo!

... Ana havia se apaixonado pelo seu... psicólogo.

“Melhor contar” – pensou. “Contar???” – hesitou. “Claro!” – decidiu. Afinal de contas, de que valeria todo aquele processo terapêutico se ele não estivesse, pelo menos, baseado na mais imaculada e solene verdade? Se, por um lado, a verdade tem sua porção de desbunde kamikaze, por outro, Ana não tinha culpa se aquele sujeito encantador que antes se apresentara como “a” solução, de súbito – e à luz do inevitável químico – transformara-se no problema propriamente dito. E concluiu: “Problema dele, porra!”. Assim, ensaiando algumas manobras fajutas, soltou:

- Me apaixonei perdidamente por você, Doutor.

Big Deal! E, pela enésima vez, como fizera com todas as outras pacientes, o doc contou para ela a velha história do bombeiro...: (Zzzzzzzzzzzzz...)
- Querida, imagine que você está presa em um apartamento que está ardendo em fogo. Último andar. Restam apenas alguns segundos até que as labaredas te alcancem. De repente, quando você está sem esperanças e prestes a ser queimada viva, alguém arromba a porta, te pega pelos braços e te resgata das chamas lancinantes.
Fez uma pausa. Ana arregalou os olhos. Ele continuou:
- Ana, veja bem: eu sou a pessoa que te salvou do incêndio. A primeira pessoa que você viu logo após o pesadelo que viveu. Eu abri a porta para que você pudesse sair, para que você pudesse respirar. Só que, se pensar bem, vai reparar que não está apaixonada exatamente por mim. Você está apaixonada por alguém (seja lá quem for) que te livrou do pior. Você está apaixonada pelo bombeiro. E esse bombeiro, cuja função era te salvar, poderia ser qualquer um. Isso (quem era ele!) é o que menos importa.

E o assunto terminou por aí. Infelizmente, Ana nunca mais teve a oportunidade de dizer ao doc que, na verdade, jamais havia se apaixonado por homens que não fossem bombeiros. Bombeiros que arrombavam portas para que ela pudesse sair do cômodo em que, não por vontade própria, trancafiara-se. A paixão, assim, era esse resgate de si mesma por meio de um outro qualquer. E este "si", invariavelmente, era o constructo de alegorias internas - tumultos silentes, nada muito precioso. O homem pelo qual se apaixonara insinuava-se como uma hipótese de toque, de chave, de arrombo, de arroubo – e, no fim, não existia ninguém exceto ela mesma. A paixão sempre trazia à tona uma possibilidade de ser. Ser outra coisa no entre-lugar onde habitavam dois. Sim, ela estava de fato apaixonada por seu angelical psicólogo. E era esse toque no nervo doente, essa porta que se escancarava palpitante, convulsiva, que de fato dava contornos à febril dinâmica da paixão. "Nos apaixonamos por aquele que nos toca (nos abre) "naquele" lugar que anseia tremeluzente nada mais do que a imensidão - e nos sugere um novo mundo: admirável e irremediável" - dizia. Para Ana, portanto, o objeto da paixão era sempre (sempre!) um bombeiro. "Save me, firefighter!"

Hummm... muito hiperbólica essa imagem (!)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mulher-objeto-insaciável em duas versões:

Foto by Terry Richardson

Plástico ou Silico.
Diferenças?
A segunda fala... ops, geme. Ou não. Vai saber...
Mas isso é irrelevante.
A grande questão é que, segundo a Dra. Picareta, a incompatibilidade entre homens e mulheres (plástico ou silico, isso não vem ao caso) se dá por que o primeiro vira para o outro lado da cama - aquele do abat-jour - tira um ronco ou fuma um cigarro ou, enfim, entra em um estado de ultra-relaxamento pós-gozo, enquanto as mulheres não se satisfazem jamais. Sim, elas são desesperada e despudoradamente insaciáveis, umas leitoas àvidas por filhotes, mesmo que não demonstrem. E, nelas, não há uma zona erógena específica, visto que o gênero é por inteiro uma vasta zona erógena formada por cada poro, fio, arrepio, pio, calafrio, pinto, ovo ou xota. "Na mulher, cada poro é uma xota. Ponto. Ao passo que, em seu processo de diferenciação de células ainda incipiente, a natureza do homem relega involutariamente a satisfação sexual a um único e débil órgão, sem o qual ele não é absolutamente nada e através do qual, pelo menos por algum tempo, ele se sente completamente saciado. É como o cerrar das cortinas após um espetáculo".
That's what she said (Michael Gary Scott).
(Sei lá, acho que às vezes falta romantismo...)
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Eu, humilde e particularmente, acredito que a mulher não pode ser um objeto porque este supõe um elemento passivo e, por ser insaciável, como mencionou a Dra., ela se torna, a priori, super-ativa. Portanto, não é objeto: é sujeito. No máximo, pode ser predicado, uma vez que este contém o verbo e, por conseguinte, a ação. Daí o delírio de nossa era. Deu pra pegar?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

REUNIÃO DE CONDOMÍNIO - em "Histórias da Vida Real"

Se você quer ver o lado mais infame do ser humano, o lado mais vil de quase todos eles, com uma (se muito) raríssima exceção, experimente ir a uma reunião de condomínio no lugar de alguém. Mas tem que ser no lugar de alguém, para que você não esteja evolvido na encrenca e possa ver a coisa toda com olhos de lince. E condomínio grande!... Sim... Em São Paulo, onde as pessoas não têm o que fazer (brincadeirinha hermanos!) e levam as coisas muito a sério – especialmente quando envolve plata. E vamos supor, assim, que essa pessoa que você, muito humildemente, está representando, não pague o tal do condomínio há séculos. E os outros condôminos, junto com a síndica (e essa de fato não tem nada o que fazer), estão lá todos devidamente reunidos esperando o condômino caloteiro como urubus ávidos por carniça. Tudo que eles querem é dar o veredicto e se refestelarem sobre ele.
Então você, o representante que está meio por fora do que está acontecendo e tem uma historinha na ponta da língua para justificar a ausência do caloteiro, segue rumo à tal reunião – onde, aliás, está sendo traçado o destino do dito cujo. E as pessoas esperam por ele – não por você. Sabe 12 Homens e uma Sentença, de 1957? Igualzinho, só que com um “representante” do réu.

Você chega.
- Como assim??? Como assim???
- Você tem procuração???
- Você vai assinar o cheque???
E você se apresenta.
- Como assim???
- Para mim chega. Isso é demais. Vou voltar para o meu apartamento.
- Nós tivemos o trabalho, o “favor”, a "bondade", de nos reunir para decidir a situação dele e evitar o pior, e ele manda outro! Que absurdo!
- Você tem procuração?
Você diz: “Não”.
- Para mim chega. Vou embora.
- Você não tem procuração???
E você diz: “Não”.
- Nós não podemos fazer mais nada. Se ele teve a audácia de não comparecer à reunião que ele mesmo convocou, vai a leilão!
- É... vai a leilão!.
E você conta aquela história triste com um sorriso entre lábios.
- Mas é você que vai assinar o cheque???
- É, porque se não for você... Quem vai assinar o cheque???
“Cheque?” – você tira o corpo fora – “Eu não vou assinar cheque nenhum”. Até que uma alma caridosa puxa sua saia e diz:
- Senta aqui que eu te explico o que foi decidido.
E você diz: “Claro.”
- Ah... pronto: ela vai ficar de pombo-correio agora.
E você diz qualquer coisa que silencia o sujeito – na hora. Uma atriz.
- Pra mim chega. Eu não vou levar isso a cabo.
- Você trouxe procuração???
- Eu vou embora.
Algumas pessoas saem abruptamente, injuriadas e soltando “affs!” pelo caminho. O mau-humor impera.
- Que absurdo!
- Já digo: pra mim, vai a leilão!!!
- Sim, vai a leilão!!!
A alma caridosa termina a explicação. Você anota, se despede e se dirige à saída. No caminho, a sindica e várias outras mulheres lhe interceptam:
- Olha, a gente se reuniu aqui, saiu cada um de suas casas, teve esse trabalhão todo, gastou nosso tempo precioso em plena terça-feira. Poderíamos levar o imóvel a leilão e ganhar muito mais. Mas não: tivemos "alguma" consideração com ele. Por isso, o mínimo que ele podia fazer era vir aqui, poxa, na reunião que ele mesmo convocou para julgarmos a proposta dele, e para que pudéssemos passar para ele o que foi decidido! É um absurdo ele não vir!
E você diz: “Absurdo por que??? O que foi decidido acabou de ser passado. Boa noite”. E sai radiante, sem nem saber por que.

FIM

Conclusão: é incrível como têm pessoas que só estão vivas para ver “neguinho” se estrepar. Assim, ao vivo e a cores. E armam um baita circo só para isso: para ver “neguinho” se estrepar. Tirar esse prazer delas é uma verdadeira ofensa. Tenha o descaramento de tirar esse prazer delas.