quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Contato
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A dialética das relações humanas pós-apocalipse
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Eis a gula do pecado...
Bem que te disse, de molho alfafa ainda hoje, que tentei falar com algumas pessoas, mas há tanta gente que não há, de fato, ninguém. Lembro-me que, para festa, não convidaria os perfis com foto. Preferi os avatares – sejamos tão iguais que praticamente idênticos. “Preciso embalar a toca em que me estoco para recebê-lo”. Vou presentear-te com uma lingerie importada de 1930 do Fetiche Brabo – loja da bisa em Copa. Vou servir iguarias picotadas do corpo, tipo lóbulos de orelha, estrias. Não sei lidar com nada disso: estou porca, dei para cuspir no chão e mastigar-me até os ossos fêmures. Lamber os dedos, babar muco bucetal como quem verte gordura de cabra pelas moneras. Eis a gula do pecado. Coalhada feito leite. Não me responsabilizo por patavinas e nem pelo amor que cansei de sentir cortar-me os pulsos do beiço. Afiei-me na humilhação. Empobreci-me na ofensa. Sô de sôfrega, sonada, sozinha e sonsa. Santa de hálito regional entre as cáries que prenunciavam um “T” tão delicado que desfalecia sem dizê-lo. “Culpa dela. Da Tiaaaa...”. É preciso haver culpados, senão ele se recusa a rodar o filme – o diretor: “Ação!”. Mas não há. Ação ou culpa? Já nem sei. De resto, era displicente também: reaparecia sem deixar rastros.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Quando o Tolsta veio me visitar!!!
Passo ao largo de mim mesma. Sublime no parque e a pique, confundo um pássaro com uma ratazana. Sossego: a coisa voa e baila e cantarola. Lindo. O pouco que tinha nas mangas se foi: precisei gastar alguns copeques com um tênis para ele. Mas valeu à pena. Hilário. O Tolsta de all-star fica absolutamente ridículo, e, o que é mais ridículo, preciso me conter para não rir nas fuças dele – ou ele me enfia de novo na máquina do tempo que acredita existir, pois, a contragosto, já andou vendo alguns filmes norte-americanos –, sendo esta tal contenção de despesas, água e risos o que há de verdadeiramente cômico na infame história.
Eis o tênis que comprei pro Tolsta. Ele achou cool, mas se disse adepto da resistência pacífica (!). Eu não entendi.
São Paulo é um desgoverno – e isso ele sente tão logo põe os pés na rua. Quer uma bicicleta – adorou. Na Paulista, segue a via tátil, por mais que eu lhe diga que aquilo é um caminho para cegos. Quando volto, atarantada, todos os mendigos da rua estão lá em casa – para ele são mujiques, imagine – mujiques russos que, como ele mesmo acha que é, despencaram por aqui. E palestra, palestra, palestra: sem fim, endless lecture, ad infinitum. Adora falar. Vous parlez français? – ele pergunta a quase todos. Comme Il faut. Um saco o Tolstói. Mala sem alça. Saudades da Anna e de suas correspondências miúdas. Essa sim foi uma visita, eu diria, troglodita: não saíamos da caverna nem para comer e, dá-lhe Vronski , pude tocar nas feridas adquiridas por ela no embate com o vagão do trem, pobrezinha. Foi quase como tocar nas chagas de Jesus Cristo. Inoportuno era manter seu vício em morfina. Acabou na cracolândia. Desde então, não sei que raios de rumo tomou na (sobre)vida.
À noite, já deitado, Tolstoi insiste em dizer que é o Levin. “Não, de novo não!” – penso. E que o personagem era um alter-ego dele. Dãããã. Eu, claro, não acredito.
“Como assim, Tolsta? Antes ou depois de Freud? Não me engane, hein.”
“Eu não acredito em inconsciente, guria” – ele manda.
“Nem eu” – emendo.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Homens ao pé do sol
Boreal.
Orgia ao pé-do-sol.
domingo, 6 de setembro de 2009
....................................Esquece.
domingo, 30 de agosto de 2009
No parachutes, no shelter...
Apenas sinto.
Cintila, portanto, pelo ar que dentro de mim circula, uma beleza consciente de sê-la.
Beleza, avesso da aparência, construída de percalços, viva.
Esteio e leito por onde navegam lembranças de decênios e milissegundos, conforme a velocidade de cada ato, voluntário ou compulsório, silente ou ruidoso, desmemoriado no presente e perpétuo de sabores que decolam parachutes a perder de vista.
É tão humano quanto a essência do ser – e carrega, em suas vitrines, um quê de fálico, mas não ultraja, só reproduz, tal qual emas na savana africana.
Paro. Apresento-lhe meu sexo, Beleza etérea.
E suplico-lhe por um cafuné, shiatsu a meia-luz, beliscão.
É por ti que, esperançosa, já que me alças ao topo do mundo, e me vejo aqui a tocar as sílabas do céu, que continuo a galopar.
Dou voltas ao mundo em 80 passos.
É por ti que me entrelaço aos homens, ignorantes de sua bondade, de seu poder, desse jardim que pare com tamanha anuência.
É por ti, Beleza etérea, Amor recôndito, dimensão aos homens oculta, que pedalo.
Eis a minha bike: sangue matador.
As atitudes equivocadas acima listadas ensejam, via puro acaso, um encontro: Francis "louco-cara-de-bulldog" Bacon e William "junkie-beat" Burroughs. Fico pensando (em russo) cá avec moi même qual era exactly o tema em pauta. Alguém arrisca?
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Um gosto particular pelo nada
sábado, 1 de agosto de 2009
Pirofagia sentimentalóide
Nostálgica diz: Bom, chega disso. Vai acabar se queimando feio, chuchu. Nos lábios, na boca, vias aéreas - coração. Sei que é do tipo incendiária, compulsiva, irresponsável, otária, pero...
Gannibal continua: ...daí percebi que sem o conhecer a si mesmo não há o sair de si mesmo e vice-e-versa, muito embora o segundo seja o mais relevante ou o único de fato fundamental. Não sei. Não saio. No cio. Tem gente que não sabe o que quer (e o que não quer aussi). Isso pode ser perigoso, deveria até dar cadeia, eu acredito. Essa gente que fica por aí sem saber o que quer e enfiando no cú de qualquer um que dobre a esquina. E tem gente que, claro, sabe o que quer (adoro esse tipo, aliás): mas então fala, caralho! - eu não tenho como adivinhar o que você quer! Oráculo miraculoso. Entra século, sai século, e os problemas de comunicação não cessam. Mais um na multidão: eu... Só me sinto assim aí, nesse vilarejo pré-romântico descacetado: como se tivesse perdido a individualidade, como se estivessem espicaçando meu ego perolado que tanto mimei, como se me iluminasse qualquer spot mui superficial, como se houvesse clones meus por toda parte, depauperados, como se fosse Natal. E daí, outrossim, a compreensão me escapa. Nada a ver: ah, vem cá, Dani: não dá pra você escrever contos eróticos na primeira pessoa, cara. Eles ficam, obviamente, ilegíveis. Não rola. É claro que a gente associa o relato do autor ao autor do relato, porra. É nojento até. Volte a ser articulista!... No mais, chega de pirofagia sentimental, chega de correria em campos minados e todos esses universos tortos que me atraem so much - sei-lá-por-quê. Ai, espero que ninguém me veja agora. Apaguei.
domingo, 26 de julho de 2009
Ele reproduzia, sem o saber, todos os males que acreditava odiar...
Então lembrei daquela história. A do sujeito, a do homem, ouso dizer, que foi, a princípio, muito gentil com Mariana por que queria usá-la como remédio para curar algumas feridas adquiridas no hiato da solidão. Como lá pelas tantas, a coisa, a Mariana, não serviu a contento, ele, claro, a jogou no lixo, como cartela vazia que era. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana não era uma coisa, Mariana era um ser humano. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana era, sim, tão ser humano quanto ele. Só que ele não sabia, pobrezinho: que, ao tratar as pessoas como coisas, ao tratar Mariana como coisa, ele reproduzia toda a dinâmica social (capitalista, cretina, individualista, desumana) que julgava odiar e lutar na direção contrária. Eram nesses “pequeninos” gestos, mais do que em qualquer outro tipo de ação – Mariana pensava depois, sentindo-se infeliz por acreditar no homem – que o homem, ouso dizer, abastece toda a engrenagem que finge odiar, transformando pessoas em coisas consumíveis ao inserí-las na lógica do capital. Afinal de contas, nessa sociedade que amamos odiar, tudo é (não é?) produto, coisa, consumo, superfície, função, troca, lixo – a começar (e a acabar) nas relações humanas. Só que ele não sabia, pobrezinho, tão preocupado que estava com o próprio umbigo, de nada disso.
Ocupe e resista Mariana. Continue acreditando no ser humano. Eu também acredito...
terça-feira, 21 de julho de 2009
Os hormônios e o século XXI
sábado, 11 de julho de 2009
debandada de chimps, vida e milagre
Bufalada: manada de búfalos na plácida savana africana.
Até onde eu sei, a razão, essa coisa que nos difere dos animais, e a qual tanto apreço devotamos, é também o que nos confere a capacidade de escolha. O tal do livre arbítrio. No entanto, pensava cá comigo: "Sob um determinado prisma, a razão nos torna pior do que os animais, uma vez que passamos a negar irresponsavelmente o que nos é natural e, por sua vez, naturalizamos, encantados, o artificial". Daí, quando o natural que há muito desnaturalizamos (mas que é o real e, portanto, o que existe) nos surpreende no cotidiano, não sabemos com ele lidar ou dialogar. Simplesmente não o suportamos. Ele nos soa estrangeiro, alheio, caro, irreal. Eis que, por exemplo, nos intercepta a morte, a mais natural das contingências da vida. A partir do momento em que forjamos o luto (leito) no qual ela deságua, obviamente sem o saber, imperializamos o ego, centralizamos o eu, destronamos o outro e, nesse arcabouço asfixiante, os habitantes da savana já não podem pressentir a vida que se achega em desbunde e sem alarde. Silente. Perdemos, assim, o faro dos elefantes, dos búfalos, das gazelas, regredindo a uma razão "divina" e ingrata, alheia ao manancial dos arredores que, miraculosamente, tão logo a seca vingue, apruma-se no deserto.
A natureza inventada racionalmente, de acordo com leis sobretudo científicas, humanas, atrofia nosso olhar de lince e converte em traumas inefáveis o que a outros seres é o comum - visto que inseridos no contexto de suas comunidades. Naturalizar processos equivocados (egocêntricos) pode render ao homem fraturas irreparáveis - e fatais. Não por que redundam na morte, mas por que deslocalizam-na, bem como a incontáveis outros elementos de um curso genuíno, normal. A seca, não raro, faz parte do bem viver.
Não é só a nível da baleia que golpeamos o natural. É, sobretudo, no perímetro cotidiano, urbano - esse que a duras penas nos suporta.
O passo dos elefantinhos... 1, 2, 3, devagarinho quase parando. Um vai cheirando o rabo do outro que, inevitavelmente, fede. :-)
PS: Isso não tem absolutamente nada a ver com Rousseau ou com qualquer corrente ambientalista ecochata. Eu tava vendo Discovery Channel da janela aqui de casa...
terça-feira, 30 de junho de 2009
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨Gente-animal¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
bate. Clic.
E leve, o ar desmonta.
Estou presa.
Entrecruzo pernas e liames temporais.
Por mais que os sonhos possam nos aproximar do que sentimos, em aparições vidradas, olhos de gente que perpassa, que percebe-se, e em sensações táteis, não existe nada mais estridente do que a frieza da vida, do que o enjôo estomacal, do que a gastura de lá, à noitinha, pingo a pingo, bem quando escurece a lua.
Os passos que entôo para além da soleira não significam nada a não ser o vago evidente de que pretendo sair. E saindo recolho os pés aos movimentos antes imobilizados, e, como quem retira-se de um curral, de uma tipóia, eu vôo, alcanço alturas inimagináveis sob os calos de um feixe de preto, quando, quase a partir, o telefone me toca. Nada ouço: decolo.
Gradativamente vejo a rua. As paralelas edificadas são valas e correntes inundando os bueiros da cidade que escolhi. Tapumes e estrados, como também sombrinhas, irrefletem o mau dia de canteiros movediços de frutas : todas tortas. Re-chove.
Sem o saber, e ainda prisioneira dessa porta, dessas pelancas em que me afogo, vou desacelerando os passos como quem teme verdadeiramente escorregar. O chão, meu inimigo, não se mostra de acordo com meus anseios plumosos, vagueantes, visionários, quase pipas. Comportando-se feito um dançarino, ele baba em meus pés, espezinha meus sapatos, oleoso, desejando a minha súbita derrocada no tempo ou em qualquer um que me atropele.
A rua dos meus sonhos não seria de modo algum confusa. Seria leve, primaveril, e carregaria, a patins inabaláveis, cada momento de mim. Por isso é que quando o momento-perna, resultado de uma série de impulsos anteriores, correlatos e soberbos, resolvesse se aprumar à luz de um degrau, todos os ares e voltas influiriam para que aquela etapa não se perdesse, não se deslocasse, e que sua finalização fosse um silêncio e não risos na rua superexposta.
A exposição a que me sujeito nessas fraturas, abertas e destelhadas, me atormenta a ponto de eu ficar inerte, não conseguindo sem custo viabilizar a possibilidade de momentos que me preenchem as horas. Sou, por isso, de fato e sem temer, uma viagem percorrida de momentos em seqüência, imbricados, e mesmo estando em pane e descontrolada, percebo o momento-cérebro que apurrinha o momento-nervo-ótico, desalinhando as variadas pálpebras de meu corpo, que quando não são olhos são poros ou xotas. Posso averiguar também a sucessão que foi descontinuada, essa, de momentos-auditivos, quando a profusão de buzinas cessou de, em mim, ecoar.
E essa rua, sem fim, de edificações e corpos, sem fim, que trafegam por peles e mucosas, sem fim, que perambulam por cáries, indicadores e virgens, sem fim, que se aconchegam nos músculos, vazios, engarrafados, sem fim, de avenidas e mundos e terras que, na verdade, são corpos, são poesias encarnadas em corpos – como o seu, como o meu, como o corpo molhado e ralo do leito de um rio, como a pele fétida do fosso, e a artéria sanguinária da ladeira que levanta a morte, em cheiros e perfumes que evadem de unhas, de concreto, de cinzeiros, engendrados então pelos restos de gente-animal."
sábado, 6 de junho de 2009
Verbo de hoje: Embarangar*** (no pretérito perfeito)
Tu embarangaste
Ele/Ela embarangou
Nós embarangamos
Vós embarangastes
Eles/Elas embarangaram
*** Tornar-se baranga. Ver Baranga.
Manhã, tarde, noite e madruga (es)colhidas ao léu
"Entre as partes da manhã que mais apreciava, se escondia o sibilo das aves, sobretudo o dos bem-te-vis, que se espalmavam junto à chegada do sol celebrando a benção da luz. A isso se seguia o olhar do tempo, lançado sobre toda a estrutura de seu corpo. Essa chamada, pungente e obscura, arrefecia as vozes que ressonavam por ali, fazendo com que a noite se antecipasse à manhã, e que outras palavras, bem mais tristes, se fizessem audíveis.
Ao contrário da claridade, esse torpor não vinha de fora, mas partia de dentro de si, alojando-se no cerne de seu peito. Era uma espécie vulto sorvendo o que nele havia de vivo, deixando-o, com o passar das horas, esgotado, em estado de desespero profundo. Um desespero mudo, baixo, cuja histeria há muito se dissipara, e que invariavelmente conduzia suas mãos aos músculos do rosto, distendendo-os, como se, dessa forma, pudesse reencontrar sua alma perdida".
Tarde
"Gostava das coisas mais disparatadas: Reznor e Smith. Gostava da praia e das estrelas, ambientes fechados e muito pouco arejados. Gostava da vida e de tudo que dela emanasse, fosse estrepitoso ou fosse manso, fosse cálido ou fosse a calota polar. Gostava dos marujos e das odisséias, assim como da luz estagnada que abrilhanta a existência no fim daquele espaço estreito, lúgubre, indesejado. Gostava dos chuviscos, do sol e das ribanceiras. Subia as montanhas pontiagudas para depois fazer rappel, contemplava as vidas, todas glamurosas, subjacentes a uma revoada de pássaros mortos. Reznor era, para ele, a outra face de Smith, ambos santificados, ambos diabólicos. Meu espirito arde pelo que já não quer, tenta, quer ficar aqui de pé, a postos, participando de toda essa balbúrdia pagã, reverenciando as formas, as formações, mas decola e decola e decola e se depreende a perder de vista. Não restando nada ou ninguém, ele vai para longe, vai para cima (ultra-leve...), e sobrevoa as cidadelas lacrimosas que choram um tráfego atribulado de rodas de jamantas. Meu espirito decalcado, míope já nada vê, mas sabe que está voando, porque sente o vento eriçando seus pêlos, os calafrios que causam as bruscas mudanças na temperatura, ouve (meu espirito ouve) o farfalhar das árvores mudas, apesar de estar parcialmente cego, aceso diante de neblinas, sobre essas montanhas pontiagudas, em meio a nevascas e degelos, meu coração se abriga, e feito um urso polar decide ruminar".
Noite
"Era uma história comprida. Tão comprida que Mariná optou por espicaçá-la, como se fizesse dela blocos de lembranças, como se nela nada estivesse ordenado de maneira cronológica, como se da tal história só restassem meros cortes desmemoriados de uma vida embriagada.
Seus leitores estavam todos bêbados, pondo-se a reler na verdade a existência de si próprios, que agora, traduzia-se de maneira apropriada sob olhares tortos e sem foco.
Eram quatro ou seis olhos, talvez multiplicados pelo desequilíbrio de si mesmos, flutuando num caldeirão borbulhante que emanava um forte odor etílico. Mariná revirava aqueles tocos de partes humanas que, invariavelmente, não hesitavam em encará-la.
Não era uma história comprida, era uma história quente e alucinada, repleta de olhares e indagações que a fitavam conforme mexesse o caldeirão. Era uma existência efervescente."
Madruga
"Assim, quando um choro pardo interrompeu a festa, ela se retirou. Um lamento que aos poucos se desfazia em lágrimas, como se uma pedra de gelo se abrigasse em seu peito. Mas por que? Ela mal sabia, embora se tratasse de algo que a acompanhara por todo esse tempo: Vinte e cinco anos, vividos distraidamente, como um eflúvio que se desloca ao sabor do instante.
Retirou-se. Foi ao banheiro e torceu o rosto sobre as roupas, tentando, em vão, segurar aquela torrente de falas que lhe escapava pelos cílios. A boca já não as depositava mais, e as mãos, crispadas, podiam tão só apreender a amargura que lhe tomava o corpo. Era como se farpas lhe fizessem cócegas.
Respirou e, dessa forma, resgatou o que ainda sobrava de si. Uma mulher franzina, mas que precisava, sobretudo, manter a serenidade. Engoliu a soma de lágrimas e retornou à sala. Lá estavam Lucy e Catalina, insípidas, deslumbrantes, deglutindo cada ovo de codorna que se arrolhava à exatidão da pasta de atum".
terça-feira, 2 de junho de 2009
.....ecos do quinto andar do céu....
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Bureaufóbica
terça-feira, 12 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Agora está sol. Mas fazia 15°C quando saí hoje pela manhã.











