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segunda-feira, 9 de maio de 2011
O tesão a priori é o nosso ato falho
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domingo, 15 de novembro de 2009
Um rosto sem face
Tenho dúvidas, na verdade, quanto a natureza desse ser: mujique ou proletário?
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Naquele dia, já era noite
Tristes trópicos – agora em outra pegada. Como diz a Zazie: “Meu cú” – o que, apesar de lacônico, significa: meu cú é bem mais limpo do que essa imundície toda.
Continua aqui.
sábado, 7 de novembro de 2009
O querido e figuraça FeFi (Felipe Filósofo)
Abre aspas -
Eu: Mas... Fê, você já participou de alguma orgia?
Fefi: Não. Não participei. Esse é meu trauma.
Fecha aspas.
Ah, Fefi e seu sexo verbal... Vou presenteá-lo com a Playboy da Fernanda Young.

Fefi na sala de aula (o que ele leva muito a sério!) matutando após ter escrito na lousa qualquer coisa sem cabimento. Um sábio. Amo você, Fefi!!! Figura-mor.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O dia parte – e já é tarde
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Da série: sinceridade gauchesca (!)
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Eu: Mó legal "tu" ter vindo Gauchinho. Não esperava. Por que "tu" veio???
Gauchinho: Bah. Por que eu não tinha nada pra fazer.
Nothing to daclare.
domingo, 26 de julho de 2009
Ele reproduzia, sem o saber, todos os males que acreditava odiar...
Então lembrei daquela história. A do sujeito, a do homem, ouso dizer, que foi, a princípio, muito gentil com Mariana por que queria usá-la como remédio para curar algumas feridas adquiridas no hiato da solidão. Como lá pelas tantas, a coisa, a Mariana, não serviu a contento, ele, claro, a jogou no lixo, como cartela vazia que era. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana não era uma coisa, Mariana era um ser humano. Só que ele não sabia, pobrezinho: Mariana era, sim, tão ser humano quanto ele. Só que ele não sabia, pobrezinho: que, ao tratar as pessoas como coisas, ao tratar Mariana como coisa, ele reproduzia toda a dinâmica social (capitalista, cretina, individualista, desumana) que julgava odiar e lutar na direção contrária. Eram nesses “pequeninos” gestos, mais do que em qualquer outro tipo de ação – Mariana pensava depois, sentindo-se infeliz por acreditar no homem – que o homem, ouso dizer, abastece toda a engrenagem que finge odiar, transformando pessoas em coisas consumíveis ao inserí-las na lógica do capital. Afinal de contas, nessa sociedade que amamos odiar, tudo é (não é?) produto, coisa, consumo, superfície, função, troca, lixo – a começar (e a acabar) nas relações humanas. Só que ele não sabia, pobrezinho, tão preocupado que estava com o próprio umbigo, de nada disso.
Ocupe e resista Mariana. Continue acreditando no ser humano. Eu também acredito...
sábado, 11 de julho de 2009
debandada de chimps, vida e milagre
Bufalada: manada de búfalos na plácida savana africana.
Até onde eu sei, a razão, essa coisa que nos difere dos animais, e a qual tanto apreço devotamos, é também o que nos confere a capacidade de escolha. O tal do livre arbítrio. No entanto, pensava cá comigo: "Sob um determinado prisma, a razão nos torna pior do que os animais, uma vez que passamos a negar irresponsavelmente o que nos é natural e, por sua vez, naturalizamos, encantados, o artificial". Daí, quando o natural que há muito desnaturalizamos (mas que é o real e, portanto, o que existe) nos surpreende no cotidiano, não sabemos com ele lidar ou dialogar. Simplesmente não o suportamos. Ele nos soa estrangeiro, alheio, caro, irreal. Eis que, por exemplo, nos intercepta a morte, a mais natural das contingências da vida. A partir do momento em que forjamos o luto (leito) no qual ela deságua, obviamente sem o saber, imperializamos o ego, centralizamos o eu, destronamos o outro e, nesse arcabouço asfixiante, os habitantes da savana já não podem pressentir a vida que se achega em desbunde e sem alarde. Silente. Perdemos, assim, o faro dos elefantes, dos búfalos, das gazelas, regredindo a uma razão "divina" e ingrata, alheia ao manancial dos arredores que, miraculosamente, tão logo a seca vingue, apruma-se no deserto.
A natureza inventada racionalmente, de acordo com leis sobretudo científicas, humanas, atrofia nosso olhar de lince e converte em traumas inefáveis o que a outros seres é o comum - visto que inseridos no contexto de suas comunidades. Naturalizar processos equivocados (egocêntricos) pode render ao homem fraturas irreparáveis - e fatais. Não por que redundam na morte, mas por que deslocalizam-na, bem como a incontáveis outros elementos de um curso genuíno, normal. A seca, não raro, faz parte do bem viver.
Não é só a nível da baleia que golpeamos o natural. É, sobretudo, no perímetro cotidiano, urbano - esse que a duras penas nos suporta.
O passo dos elefantinhos... 1, 2, 3, devagarinho quase parando. Um vai cheirando o rabo do outro que, inevitavelmente, fede. :-)
PS: Isso não tem absolutamente nada a ver com Rousseau ou com qualquer corrente ambientalista ecochata. Eu tava vendo Discovery Channel da janela aqui de casa...
domingo, 5 de julho de 2009
Gringo Motel - mistureba cool!!!
Sobre (copiado e colado do myspace):
"The southwest is alive in Philadelphia!
Gringo Motel is a desert twang, instrumental surf band with excursions into mariachi, ambient landscapes, David Lynch, circus music, and outsider art. Their desolate resonance of somber tunes invoke reality as a picture show.
Founded in 1999 by multi instrumentalist, engineer, and artist Tom Scheponik as a project combining art and music. The idea of the project was to have different people stopping by and staying for a while with no commitment. A demo of was recorded in 2001. That idea turned into the first full length album "Return of El Lobo" (Feb 2005). The album is a tale about a love triangle between a matador, a rooster, and a bull told from the point of view of an uneducated child painter. August 2006, Gringo Motel releases their second album, "Shower Music for the Insane" with even more tales of love, betrayal and revenge. Songs about being so obsessed with something that you can't the whole picture".
Receita boa!
Para ouvir mais:
http://www.myspace.com/gringomotel
http://www.gringomotel.com/
terça-feira, 16 de junho de 2009
"O bem do mar é o mar, é o mar, é o mar..."
terça-feira, 2 de junho de 2009
.....ecos do quinto andar do céu....
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Bureaufóbica
terça-feira, 12 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
O violão elétrico do Johannes (House of the rising sun)
Putz, o Johannes é um daqueles caras dos mais estranhos, complexos, totalmente inaptos a viver em sociedade, no entanto de uma lucidez infame – visto que não é difícil se identificar com seu modo à margem e misantropo de agir. Talvez falte a ele aquele fixador** ao qual o Jean Cocteau alude; além, é claro, das bilhares de questões religiosas que, literalmente, acometem o cara como uma doença. Não estou mesmo a fim, na verdade, de refletir sobre o Johannes (quem sou eu?); isso foi só um relato. Ocorre que o Johannes – que é aquilo que nós nos acostumamos a chamar de mendigo e, categorizando, colocar tudo dentro do mesmo saco – não gosta de gente mas se amarra em música (bom, ele disse que nem tanto...). Enfim, people, roubaram o violão do cara e, assim, quem tiver um sobrando em casa, largado às traças, esquecido em um cantinho, por favor, deixe pro Johannes ali na Igreja Anglicana (ou Americana, não sei ao certo) perto do Extra da Brigadeiro, onde, acredito eu, alguém deve conhecê-lo. Valeu. Acho que ele vai gostar.(Ah, ele também quer se casar com uma norte-americana que o leve de volta para a América...).
** "Existe no homem uma espécie de fixador, quer dizer, de sentimento absurdo e mais forte que a razão, que o faz encarar essas crianças brincando como uma raça de anões, em vez de um bando que grita: “ sai da frente que atrás vem gente.”
Viver é uma queda horizontal.
Sem esse fixador, uma vida sempre atenta à sua própria velocidade se tornaria intolerável. Ele permite que o condenado a morte durma.
Careço desse fixador. Imagino que seja uma glândula enferma. A medicina encara essa enfermidade como um excesso de consciência - uma vantagem intelectual.
Os outros sempre me dão provas do funcionamento desse fixador ridículo, tão indispensável quanto o hábito que nos dissimula a cada dia o horror de ter que levantar, fazer barba, pôr roupa, comer. Algo assim como o álbum de fotografias, fruto de um dos instintos mais bizarros que nos leva a fazer de uma pirueta uma seqüência de monumentos solenes.
O ópio me proporcionou esse fixador. Sem ópio, projetos como casamento, viagens, me pareciam loucura igual a de alguém que despencando pela janela, ao passar pelas janelas dos quartos abaixo desejasse se tornar íntimo de seus ocupantes". Jean Cocteau
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Entregar-se com devoção a tudo aquilo que se ama - e só.
domingo, 3 de maio de 2009
Minha virada antes da virada: fogo, pop francês, Augusta e cítara!

Contudo, foi na bala(vira)da da noite anterior que a “maior cidade do multiculturalismo mundial” se descortinou para mim em todo seu esplendor. Sem sombra de dúvidas, os franceses foram de fato os grandes protagonistas da virada cultural, já que o pouco que pude ver na sexta foi sublime: a Cie Carabosse e sua sensacional instalação de fogo que tomava conta de todo Parque da Luz com esculturas de chama enquanto, ao fundo, músicos davam o tom narcotizante. Perfeito. A Andrea ficou apaixonada pelo Pyro-Psycho-Delic-Guitar-Fire-Man. Foi duro tirá-la de lá. Depois, dando continuidade ao clima francês que imperava, partimos para ver o Les Provocateurs (Edgard Sacandurra, Andrea Merkel, Juliana R., Bárbara Eugênia e Alex Antunes) no Berlin detonando pérolas da música francesa em versões sensacionais. Muito fofo. Estou esperando o “gauchinho” ou o "gauchão" me enviar as fotos para eu postar aqui. Mas a noite não acabou por aí! Não. Depois de passar naquele tal de Love Story - uma espécie de "Via Show" paulistano - só para usar o toilet (ser mulher às vezes é foda!), fomos para a Augusta. Aí fudeu. A concentração de lunáticos chega a níveis bem altos por metro quadrado. O que eu posso dizer é que entramos num porãozinho infernal onde eu pude bater cabeça ao som de Killing in The Name do Rage Against The Machine (quanto tempo eu não ouvia isso: mucho bom!!!) e, para terminar, um pardieiro perdidaço chamado Bar da Galega. Lindo. Lembro-me de ter ficado cantando “Raul” com dois figuras que iam pro Largo do Arouche na sequência. Nossa, a noite de Sampa, em sua diversidade eclética e quase utópica, é realmente imbatível, surpreendente e perigosa se você for do tipo kamikaze. O que não é o meu caso, obviamente. Eu nem bebo.
Pra não dizer que eu não vi nada da virada propriamente dita, fui ver o maluco do Marsicano tocar cítara e falar as abobrinhas de sempre meia-noite na Casa das Rosas. Entre peças clássicas indianas, ele mandou Black Sabbath, Raul, Beatles, The Doors, Led Zeppelin e Vinicius. Só faltou Coltrane. Do físico ao metafísico, que belo instrumento...

quarta-feira, 29 de abril de 2009
Razões para odiar a tecnologia * **
A tecnologia, essa que vos fala de inúmeras formas, é só mais um meio que algumas pessoas encontraram de “funcionar” (ou seja, exercer funções) melhor nessa sociedade de avestruzes, como elevadores ou essas coisas robóticas que simplesmente “funcionam” automatizadas, sem dar satisfação de nada a ninguém. E não são, como poderíamos pensar, operadas por seres humanos, são programadas por um bando de vigaristas, o que é muito diferente. Um relógio que é programado para tocar às seis horas da manhã, vai tocar às seis horas da manhã – e isso independe do estado como você estava quando cruzou a porta de casa às cinco. Se, por outro lado, ele é operado humanamente, você vai acordar no momento que lhe for mais conveniente. Operar sugere que haja uma mão humana toda vez que se exerce uma ação; já programar é totalmente desumano, é funcional, é potencializar a máquina. Vivemos em uma sociedade de máquinas e, de cada vez mais, pessoas programadas ( já que peças desse meio-de-produção) – e que se dane o fator humano de qualquer coisa. Adapte-se. A porta do metrô fecha em 10 segundos – e a moça que prendeu o salto no vão e vai ser levada pelo arranque do motor? Foda-se.
A sociedade industrial foi se tornando com o passar do tempo essencialmente programada, mecânica, alheia ao humano de qualquer coisa, e as pessoas, com seus brinquedinhos celulares e i-phonicos, entraram nessa onda. Por inúmeros motivos, que você não faz idéia, alguém que no tête-à-tête te trata como um anjo e com quem você jura que tem uma sintonia peculiar, programa o celular para não receber mais ligações suas – e que se foda você e os motivos do por que você está ligando para ela. Ela se programou, através da tecnologia, para não te atender, para te descartar solenemente, para esquecer que você existe, coisificando-o como uma peça que já não lhe serve – e agora, ao invés de perdemos o braço na geringonça de prensar frigideiras, perdermos parte de nossa alma em meio a essa horda de desalmados, de pessoas que temem o encontro, o humano. É paradoxal, mas a tecnologia só criou mecanismos de encontro que, em determinados contextos, só favorecem o desencontro. Contudo, esse cinismo todo nos parece muito natural, pois a timidez pequeno-burguesa a tudo redime, o comodismo de apertar um botão nos faz senhores de nosso próprio nariz ao vivenciar uma pseudo-liberdade hiper-equivocada, e perdemos, nesse rastro, a capacidade de compartilhar o que quer que seja com o próximo, de encará-lo olho no olho e sofrer as conseqüências desse ato, de dar a cara à tapa. Nos programando, nos livramos, assim, do que nos parece, pelo menos no espaço imediatista da ligeireza da máquina urbana, inútil ao caráter funcional do ser. E não somos mais, apenas funcionamos enclausurados, isolados do outro e das normalíssimas relações conturbadas e febris que com ele se trava, esquecendo que a “única” coisa que de fato existe nessa porra de mundo é isso: o outro; que a mais linda paisagem é a do rosto humano; que a arte, o trabalho, e tudo mais que fazemos, existe somente em função das pessoas – aquelas das quais fugimos propositalmente e temerosos de que percebam essa fuga ou venham nos perguntar: por quê?
Tem gente que tem medo de gente por aqui (Esse Pê) . Eu, particularmente, acho isso estranhíssimo e inusitado. Hoje muita gente não atende o celular quando vê, em função do advento da bina, que é um tal fulano que está lhe telefonando e com o qual ela não quer falar sabe-se lá porquê. Será que essa mesma pessoa expulsaria esse fulano de sua casa e bateria a porta na cara dele? Não sei. Mas bate o flip. A tecnologia transformou um bocado de pessoas (e me desculpem as que não se enquadram nessa lógica e que usam os apetrechos high tech para o bem) em hipócritas resignados. Isso me perturba bastante. Vou me mudar para Iasnaia, para uma aldeia indígena, para um lugar interiorano onde não haja bina, msn e no qual se possa confiar, verticalizar as relações. Ou ficar por aqui - ocupando e resistindo.
*Texto levemente inspirado na aula do Sérgio de Carvalho.
** Texto escrito no ápice da TPM.
domingo, 26 de abril de 2009
====Era só um sujeito fascinante====
sexta-feira, 24 de abril de 2009
CL
Dando voltas indecisas e imprecisas pelas ramificações do bocejo, desmaio. Canto. Avento um sol. Sustento um mi. Mi leva, mi perturba, mi come. Voe por cima da pianola e tome o lugar do acorde – que, há muito, já é seu.
sábado, 18 de abril de 2009
(((((((A "polêmica" do Touro Catalão)))))))
"Cada um de nós é culpado perante todos, por todos e por tudo".
F. Dostoiévski
Minha relação com os animaizinhos domésticos é nula. Quando um cachorrinho de um amigo meu morre eu não sinto absolutamente nada. Ou, pensando bem, um certo alívio de não ter mais que aturar as lambidas incovenientes daquele ser quadrúpede toda vez que vou visitá-lo. Lembro-me de quando o pitbull insuportável de um ex-namorado pulou o muro de dois metros de altura da casa dele e deu linha. Ufa!... Não compartilhei da comoção do resto da família. Aquele bichinho terno, mais cedo ou mais tarde, ia acabar cravando seus dentes afiados em alguém. Dia desses, entretanto, hesitei bastante meu pé antes de esmagar uma barata das mais asquerosas. Juro que passou pela minha cabeça: "É uma vida!". O mesmo tem acontecido, invariavelmente, com as formiguinhas-operárias. Elas são uma graça. Será que estou me tornando uma jainista (!) das mais radicais?Na verdade, se "comunicar-se" é sair de si mesmo e "entrar em comum" com o outro, partilhando o que há de semelhante, que tipo de comunicação eu posso estabelecer com um cachorrinho além do óbvio ululante de que tanto eu quanto ele estamos vivos? Bom, o fato é que essa me parece uma comunicação muito básica, demasiado sutil, quase etérea, "telepática" e, sinceramente, admiro as pessoas que amam seus bichinhos e decodificam sua linguagem. Não é à toa que a criançada se dá muito bem com eles - para elas, sem dúvida, é mais natural atingir esse estado lúdico e, a partir daí, celebrar a vida em todos os seus matizes.
O que eu não consigo comprar, contudo, é o discurso das sociedades protetoras dos animais - que, como a WSPA, treme ao ver um touro catalão sendo dilacerado com farpas e estacas, em um espetáculo dos mais grotescos, por um toureiro sagaz. Tudo bem, é terrível. Concordo. Apesar de me sentir atraída pelo "show" em si, muito em virtude de seu caráter popular, não sei se teria estômago para tanto. E, no mais, matar um animal com requintes de crueldade para fins de mero entretenimento, além de nos remeter ao homem medieval, ao homem animalizado pela falta de escolhas, não é aceitável em qualquer hipótese.
Mas o que soa hipócrita em discursos assim é que:
1º) Mal ou bem o homem continua se digladiando e se matando na periferia do mundo por uma série de motivos os mais básicos ou os mais sórdidos - e não tratar isso como uma prioridade é tão risível quanto vencer uma maratona correndo-a de carro. Não raro, campanhas desse tipo, e especialmente às relativas ao meio-ambiente (ex: aquecimento global), parecem estar completamente desconectadas da realidade, ou não suficientemente integradas ao que é o humano por excelência, ao day-after-day suado e sacrificado do trabalhador, do pedinte, do miserável, visando tão somente desviar nossa atenção do que realmente importa no mundo e, por outro lado, redimir o pequeno-burguês de qualquer sentimento de culpa em relação a o que quer que seja. A despeito das imagens e previsões catastróficas, tratam-se, eu diria, de "amenidades". É válido dizer que quando um tsunami varreu a Ásia dia desses, ninguém parecia saber de nada.
2º) Não aceitamos que animais sejam abatidos ou torturados na arena de um "circo", mas aceitamos que eles sejam abatidos e torturados para o consumo humano. Tudo bem. Nada mais justo - afinal de contas, precisamos nos alimentar. Só que todo mundo sabe que essa matança já ultrapassou em muito a cota do mero consumo humano e atingiu, veja você, a cota de "entretenimento" dos empresários que ganham rios de dinheiro com a produção pecuária e frigorífica para, imagino, se divertir.
3º) A verdade é que ninguém sabe ao certo o que é a chamada "vida animal". As pessoas intuem. Os cristãos acreditam que os animais não tem alma - o que é um conceito dos mais profundos (vai explicar o que é alma!). A maioria das pessoas, levadas pelo senso-comum, concorda em dizer que os animais são seres irracionais, uma vez que, sendo prisioneiros do instinto, não possuem o livre-arbítrio, não sofrem do mal da indecisão, distinguindo-se claramente dos humanos. Eu, particularmente, não sei, mas algo me diz que são todos um bando de autistas. Well, o que eu sei é que ao se deparar com o sofrimento animal muitas pessoas transferem essa sensação para si mesmas. O que é perfeitamente normal. O inadmissível é que essas pessoas penem mais com a pseudo-angústia de um filhote do que com a angústia real de uma criança em cujas veias corre um sangue que poderia ser seu. Eis a grande questão "social" de nossa era: "comer ou não comer o hamburguer do Mc Donald's?" Precisamos, antes de qualquer coisa, entrar em comum com aquilo que nos é comum - o humano. Senão, não faz sentido algum proteger os pobrezinhos dos animaizinhos. Será zelando pelo homem que nos tornaremos mais humanos em relação às outras formas de vida que conosco co-existem.
Na melhor das hipóteses, fiquemos com a vingança do touro (!):
PS: É por isso que o Zavala é vegan...





