Mostrando postagens com marcador TM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TM. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de abril de 2009

====Era só um sujeito fascinante====

Ficara cego, surdo, mudo. Uma nebulosa vagava impunemente a alguns milímetros de seus olhos, embaçando o vidro e, no entrechoque das pálpebras, ao invés de fazer chover (ou ver), impelia-o a se abrigar em uma caverna a milhas de distância dali. Era quando acendia a lamparina e ficava iluminando a dor. De resto,o brilho das luzes, o desencontro dos volumes, o tráfego de saiotes, os confetes – nada tirava-o daquela espécie de transe. Os ouvidos, por sua vez, levitavam ao encontro do silêncio, de modo que a algazarra feita pelas marchinhas, tocadas ao vivo por um desses grupos que surgem apenas em época de carnaval, lhe passava totalmente despercebida. Seus amigos, todos bebuns, jogados por aquele imenso salão de quatro ou cinco andares, haviam migrado para direções opostas a dele tão logo entraram. Deglutido pelo tumulto, não foi difícil para ele alcançar seu mais novo objetivo: perder-se – não para todo sempre, claro, mas só no intervalo temporal daquele porão de relâmpagos –, sem nem saber, aliás, o que diabos estava fazendo de pé. Driblou uma moça ou outra que lhe suplicou por um beijo apaixonado e acabou serenando invisível aos foliões em um corredor do segundo andar. Eu, que entrei em seguida, atrasada pela fila, procurava-o. Mas quando me vi em meio àquele bloco profético, depois que uma mocinha me deu um pedaço de papel, o qual prontamente amassei sem nem saber que se tratava da comanda, achei que jamais fosse vê-lo novamente – sendo que esse “jamais” era uma hipérbole para as próximas 12 horas ou 12 chopes. No entanto, ao subir alguns lances de escada, avistei-o. Pele branca, cabelos encaracolados e estatura mediana. Ele não queria se esconder. Na verdade, conseguira um espaço relativamente vazio para se instalar: ao lado do toilet. “Será que perdeu o olfato?” – pensei. Até aí – contei –, eram três sentidos primordiais que já lhe faltavam. Andei em sua direção e, sem opções, cutuquei seu ombro direito. Ops, quatro: o tátil. Lacei-me à sua frente e berrei: “Meu vestido preto ficou aí?”. “Como assim vestido preto?” Ele pareceu resmungar com o sobrecenho - embora, de fato, não tenha dito porra nenhuma. Estacionou suas pupilas em mim durante um bom tempo (como se eu fosse uma estranha), afiando lâminas, fazendo a carne sangrar e, incomodada, dei um passo para trás – Calma lá!... Adorava o jeito como ele me fitava – desbravador, titânico, sem receios, pronto para travar qualquer embate, pronto para dizer qualquer verdade, pronto para instaurar um novo regime onde nós, seus súditos, reportar-se-iam sem intermediários ao rei – o Bom, o Belo, o Ideal. Um arqueiro libanês do olhar. Com um golpe de vista, acertava em cheio, aniquilava, seduzia, tremeluzia até o curto-circuito. Era elétrico o que se passava por aquelas bandas, e se por acaso eu levasse aquilo adiante acabaria mastigando-o, comendo-o, lambuzando-me. Não sei exatamente como, mas ele sabia todos os crimes que eu não cometeria. Talvez por isso, magnético, invadisse-me feito um pênis adentra uma xota e fica por ali em standby alheio ao próximo take. Não. Nada disso. Era só um menino fascinante.



(Ela disse: "Vou atirar minha memória às picas!")

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ilhada em Esse Pê (!).
Camila vai para Búzios.

Falei com ela agora.
Thomas "Zé" Morkos não atende.
Está na Hora - sei disso.
Nothing to declare.
Vou ouvir aquela música "Money" do Pink Floyd, especialmente aquela parte que diz "get back", e me recolher à caverna, como já dizia o anjo-mor. Só. Ou, quem sabe, amanhã, pray a little bit, rest. Todas as sextas-feiras me lembram o carnaval. Todas as sextas-feiras me lembram a jaca fofa (e gélida) na qual atolei o pé dia desses. Todas as sextas-feiras me lembram que meu batom de creme de coca, aliás, que comprei em Haia, está acabando, e que, por pouco ou por quase nada, não fui parar no fundo oceânico do poço. Estava com Pedro e, portanto, sem medo. "Deus me livre de ter medo agora, depois que eu já me joguei no mundo!". Todas as sextas-feiras me lembram você. Quantos? Sinto-me ilhada em Esse Pê e, nesse rastro, só me restam capítulos de uma intimidade não tida, não cultivada, forjada às pressas e em desespero no banheiro. Um "bom dia". Um apê. Um barulho de água que sai do chuveiro. Gestos que mais parecem deslocamentos de terra como em 2001 - o filme do Kubrick. Gostei dele e ainda mais do outro lado da cidade: tranquilo, silencioso, sereno, carioca. Lá onde o Ali e a Kátia moram. Mais humano, talvez. Uma vez... machuquei-me. Machuquei-me no dedo de dentro. No dedo da mão na porta do carro - no coração. Vai saber? Nada disso é para ser lido ou escrito. Então, é como se só existisse a encenação. Existe??? Não importa. O que importa, de fato, é que posso acabar causando miopia no Dani Ribas.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

- - - - - - - - - - - - - Virus Planetário

Um louco (no caso, o Thomas) sempre te apresenta outro louco (no caso, o Bruno "judeu" Ruivo), que é super engajado em um projeto ainda mais louco (no caso, a Revista Virus Planetário) que merece toda a nossa atenção. Como já dizia o Nei Lisboa, o mundo é dos loucos!!!

Confira:

http://virusplanetario.wordpress.com/

Iniciativa sensacional da galera antenada da PUC-RJ!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Preciso urgentemente de um step d'alma. Até onde vai esse círculo vicioso que alimentamos sem nem saber como? E sem nem saber como, portanto, como afinal dar um basta??? Algo me diz que já estamos todos fartos de todo esse estrume que, em plena luz do dia, miraculosa e cálida, mistura-se impunemente àquilo que mais amamos. Ingênua, ao que parece, desespero-me com o que não causa dor a quase ninguém - já que impotência é a palavra que paira sob a planta dos pés de quem flutua e, assim, acredita que foge mediante ao "não se pode fazer nada". Um pouco distante daqui, Thomas Morkos, uma das pessoas mais fascinantes e lindas que conheço, carioca da gema e rockstar, me fez lembrar (esse menino sempre me salva). Sim, me fez lembrar que se pode fazer tudo - mas que, para isso, é preciso "sair de si mesmo", confiar. Talvez eu também tenha estado um pouco longe da realidade sob o efeito alucinógeno desse efêmero momento que vai se perpetuar na cola dos meus desvarios. Uma dose de pé-no-chão em face do descalabro por vezes é a saída: olhar adiante, com olhos de lince, mas não como quem flutua. E, sem dúvida, partir para ação - que não é imediata, porém. É preciso esperar longos anos na fila, ceder o lugar para os mais necessitados, cultivar a paciência e a humildade. Plantar e colher: semear, senerar, ser humano. Saudades de outro menino lindo: o diabético.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Da série: "Quotes"

"A realidade é o que existe" - Miguel Masella, sublime, em algum dia de 2008.

"Eu sou o rock'n'roll!" - Thomas Morkos, sempre. E o pior é que ele é mesmo. :-)

"Intelectual de cú é rola!" - Daniel Esteves, em algum dia de 2009.

"Em 2009, tudo o que conhecemos mudará" - Daniel Ribas, em janeiro de 2009.

"Ah um gole!" - Felipe Filósofo, sempre. Sensacionallll.

"É preciso encontrar beleza na rotina" - Erico Cornetta, em algum dia de 2008.

"Eu adoro as luzes de neon!.." - Ricardo Cardoso, em algum dia no confessionário.

"Por isso eu tenho sempre minha cota privada de ácido sulfurico: para jogar em vacas como ela!" - Alex, qualquer dia desses, na balada.

"Life is short!" - Alexandre "Yuppie" Gomorra, em 2009 no restaurante da Reserva Cultural bebericando uma taça de vinho.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Ontem eu saí com os "meninos"... Hummm.
(Exagerei na birita, mas amei. RC, confete e serpentina. Lindo.)

E como já diria o sábio Thomas (a.k.a "chuchu"), a seu modo rockstar e mais pra lá do que pra cá, "as meninas fazem força para não se odiarem". Forte isso. Mas é. Cabe uma reflexão sonada: historicamente falando, culpa deles, na verdade, que nos deslocaram há milênios para uma posição esdrúxula da qual jamais saímos - e culpa nossa também, que nos submetemos ao longo dos tempos a esse joguinho, com variações sutis e, sem querer generalizar, isento de cumplicidade. Esta é a palavra: cumplicidade. Mas vamos nos libertar desse jugo. Nunca houve revolução feminina - e pensar que pode ter havido é ridículo. Estamos em processo, e, na real, a coisa ainda anda a passos lentos, lerdos, morosos, embora visíveis. "As águas vão rolar. Garrafa cheia eu não quero ver sobrar. Eu passo mão na saca saca saca rolha. E bebo até me afogar. Deixa as águas rolar..." Vou dormir. No mais: homem, mulher, tanto faz: somos todos seres humanos. E a cumplicidade deve existir nesse âmbito: o humano.
99999
O que importa não é o que a gente fala, e sim o que a gente faz. O que a gente fala, na grande maioria das vezes e do tempo, é absolutamente desimportante. Salvo raras exceções, as pessoas deveriam ser mudas. As pessoas deveriam "ser" menos e "fazer" mais, bem +. E "falar" através do "fazer". No entanto, como somos todos reféns da imperfeição e do desassossego, por ora, tá "sussa".

sábado, 10 de janeiro de 2009

Eis o que me encanta...

"As pessoas são tão previsíveis em suas desumanidades...
Você é o imprevisível: o ser humano."

Eis o que me encanta: o Imprevisível.
Eis o que busco. Só.

Pessoas não são uma espécie de prótese que já vem pronta, sob medida, no dia marcado, para se encaixar no lugar de um membro que já nos falta. E Mariah, ao contrário de Thomas, sabia disso. Não... não são lasanhas, pãezinhos de queijo light, enlatados esquecidos na prateleira do super-mercado. Ou, da mesma forma, não estão congeladas e semi-prontas, esperando ávidas por alguém que as enfiem no microondas por exatos 45 minutos e se delicie com um apetitoso prato. Elas já chegam ardendo, pegando fogo, em pleno incêndio, queimadas, deformadas, implorando para que lhes joguem água gelada, desde sempre, desde o ventre, por uma sorte de motivos que, à nossa limitada razão, soa incompreensível ou invade um ausente impossível. É preferível, de mais a mais, acreditar em Príncipe Encantado, Bela Adormecida, ouvir Chico Buarque, Nick Cave, cantarolar e cerrar as pálpebras, enquanto uma lágrima parte do sino dos olhos, percorre a pelugem da face e despenca morna na espádua nua – sim, aquela do Tom. O susto, por um instante, acorda, mas jamais desperta.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Uma semana (de pobre!) em Oviedo

Nem Vicky, nem Christina!.. Barcelona. Linda. Ensolarada. Gótica. Alucinada. Híbrida. E, claaaaaro - e nisso o velho Allen tem toda razão -, chega de homens fabricados em série... Ou como diz o Thomas: os afamados (ou difamados) "Diogos".




Infelizmente, não encontrei o Javier Bardem. Só um
típico Zé Ruela Catalão (pinguço, diga-se de passagem).
Simpático, e chegando de uma caminhada aos Pirineus (!), de onde trazia artigos da Zara (!), ele aceitou posar para uma foto. E só - pelamordeDeus!!!

Fotos: by Lu